Pular para o conteúdo

Arquivo de

Imitação

(Batatinha)

Ninguém sabe quem sou eu
Também já não sei quem sou
Eu bem sei que o sofrimento
De mim até se cansou
Na imitação da vida
Ninguém vai me superar
Pois sorrio da tristeza
Se não acerto chorar
Mesmo assim eu vou passando
Vou sofrendo e vou sonhando
Até quando despertar

Dona Solução
Reveja meu caso com atenção
A esperança que é forte
Mora no meu coração

Anúncios

Oh, abre alas, a Balada

Rubi, Fabiana Cozza e Vítor Araújo by Fernanda Grigolin

Gente-gente, fiquei de comentar a Balada Literária, o que não farei, não como imaginei que daria conta de fazê-lo. Não serei tola ao ponto de afirmar que ela dispensa comentários, mas é quase isso. O clima de celebração da Balada passa por outra via, comentá-la seria tão chato para mim, agora, quanto me arvorar a narrar um desfile de Escola de Samba.

O enredo é imenso, as alas também, são inúmeros os destaques, as vedetes, as passistas, as promessas, dificilmente quem esteve no evento, e sabe do que falo, se esquecerá da energia que circulou estes dias pela Vila Madalena. E não serei eu a tentar circunscrever esta alta voltagem criativa e afetiva aqui. Pois é. Entretanto, ainda que eu tire minhas impressões da reta, pois não passam disto, impressões, mesmo que bem vívidas, não posso deixar de dizer que o ponto alto do que eu pude ver nesta grande folia não foi uma mesa, mas o show “Viva o povo Brasileiro”, que somou entidades como Fabiana Cozza, Rubi e o prodígio Vítor Araújo,  além das atrizes Naruna Costa e Olívia Araújo, em homenagem a João Ubaldo Ribeiro, Ferrez e Sérgio Vaz. O que foi aquilo?

É curioso que num evento literário eu eleja um show como “o acontecimento”, mas não tanto, haja vista que a Balada parece armada justamente para que mesas, mesmo as que prometem ser mais circunspectas, resvalem para um estado de show-mesas. Há sempre um convidado surpresa, um imprevisto que amplifica a coisa, encontros que por serem insólitos, causam. E são muitos os aplausos e os risos, a Balada infunde seu espírito de folia nos convidados e audiência, abre um campo outro pra eles, com suingue, axé, e amém também.

Penso que as orquestrações do Marcelino na Balada são coisa de Joãozinho Trinta. Eu ainda não lhe disse, mas ele está na Balada mais para um carnavalesco do que qualquer outra coisa, na medida que é um arregimentador de forças, de gentes, de linguagens, de fantasias, que sempre, safo como é, deixa fôlego pro risco e pro improviso – e joga com isso. Ele parece ter sempre aquele ás na manga, ou inventá-lo de bate-pronto, porque não são poucas as horas de precisão, para surpreender a audiência e os jurados, digamos. Como me pareceu, por exemplo, a presença do jovem biógrafo de Clarice Lispector, Benjamin Moser, na mesa em homenagem a Lygia Fagundes Telles, algo bastante imprevisto, mas que deu liga. Funcionou.

É nesta toada de carnaval fora de época, e de lugar, como impostura, que eu percebo a Balada, os seus achados e perdidos e encontros, o seu jeito de entrar na avenida e no calendário de São Paulo, não por acaso, não mesmo, na semana da consciência negra.

P.S.: Se quiser saber mais da festa, visite o trabalho de Fernanda Grigolin aqui. Uma cobertura fotográfica da Balada era coisa que urgia, para o ano faço votos de que a festividade seja registrada em imagens móveis também, merece. Até porque, tem gente como eu, que não tem resistência para os quatro dias de festa.

Waly e Melodia, mal secreto

Amo de paixão Waly, um desses afetos que não se explicam. Ontem, encontrei esta pérola. De uma beleza.  Daquelas que se quer ver e ouvir reiteradamente.

Balada literária, 2009

logo

Já é o quarto ano  deste  envento que  reúne as mais variadas manifestações artísticas, posturas e imposturas, para a comemoração da literatura contemporânea brasileira, do Oiapoque ao Chuí, e das africana, portuguesa  e latino-americana. Acontecimento de fôlego, um assombro, que se  enfeixa sob a curadoria  do escritor inquieto, agitado e agitador, e amigo, AVE, Marcelino Freire.

Mais informações, sempre atualizadas, nestas duas moradas:

http://baladaliteraria.zip.net/ http://twitter.com/baladaliteraria

Fucem, twittem, no entanto, todavia, sobretudo, estejam de corpo presente dos dias 19 ao 22 de novembro nesta festividade que já faz parte do calendário cultural de São Paulo e da Vila Madalena.

P.S.: Tem mais nos dias 25 e 29 também, acreditem. O Sorriso pretende, como em outros anos, “cobrir” umas mesinhas, veremos.

A razão porque mando um sorriso

Para um amor no Recife, de Paulinho da Viola, com ele:

E a linda versão de Marina Lima:

Gabbeh, cor

Gabbeh, de Mohsen Makhmalbaf – Irã, 1996. Mais aqui.

Coluna, Tatiana Grinberg

portfolio_tatiana grinberg_Page_140

portfolio_tatiana grinberg_Page_141

portfolio_tatiana grinberg_Page_142

portfolio_tatiana grinberg_Page_143

portfolio_tatiana grinberg_Page_145

portfolio_tatiana grinberg_Page_146 (1)

fotos retiradas de blog/portifolio de tatiana grinberg

Eu tenho “freqüentado” este trabalho da Tatiana Grinberg, coluna, há meses. Pela rede, através blog/portifólio da artista. Não poucas vezes, na infância e adolescência, estive neste prédio, espécie de pedra inaugural do moderno no Brasil, como também já perdi a conta do quanto ouvi sua história edificante, esta é palavra. E ela faz todo o sentido, ainda que eu tenha podido freqüentar o prédio por dentro e nessa espécie de intimidade ele tenha perdido a aura de sacralidade que o sustenta, para o bem e para o mal. Pude ver muito de perto sua decadência e seu abandono absoluto, que distam muito da imagem de impermeabilidade que geralmente se tem dele e do moderno, no limite. Não sei como este prédio está hoje, creio que pior, mas na década de 80/90 me parecia um cortiço, todo subdividido com tapumes e com aquelas divisórias hediondas de escritório e flores de plástico, um zumbi de si mesmo, à deriva. Visada que o olhar reverente, de fora, digamos, que monumentaliza ainda mais o monumento que o MEC já é não dá conta, aliás, lança-o ainda mais a uma possível ruína. Risco do que se cristaliza como cartão postal. Rigidez, no entanto, que o trabalho da Tatiana não deixa que se estabeleça, na medida em que ela lida com o concreto e o peso da construção como se ela tivesse várias camadas e materiais, como a madeira,  a serem perscrutados , adivinhados, sentidos, que não se dão a ver de cara, mas entre. Ela desconfia daquele tamanho todo, parece redimensioná-lo, com graça, afeto, trazendo-o à mão, à  luz. Como se ela visse o moderno e seus pilotis de dentro, pelos vãos, e pudesse reinventá-lo, e fazer quem já o viu como eu, e quem não o viu, revê-lo uma e outra vez. Ela estabelece uma espécie de conversa ao pé do ouvido com o prédio, pelos furinhos na parede/tapume, mas com as mãos, arriscando um toque outro no que se supõe impenetrável, rijo de tudo. Apropriação que surge para mim, como uma lufada de ar, de alegria mesmo. É preciso reinaugurar outros gestos em relação a espaços como este, até para que ele se reedifiquem,  dignos e belos. Que se possa brincar com os pilotis, com a coluna enfim, da qual em boa medida somos também feitas. Não é Tatiana?

Para conhecer mais o trabalho dela clique aqui, para ver este trabalho específico aqui.

Mar azul, Cesaria

Ouvir para subir, mansinho.