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Oh, abre alas, a Balada

Rubi, Fabiana Cozza e Vítor Araújo by Fernanda Grigolin

Gente-gente, fiquei de comentar a Balada Literária, o que não farei, não como imaginei que daria conta de fazê-lo. Não serei tola ao ponto de afirmar que ela dispensa comentários, mas é quase isso. O clima de celebração da Balada passa por outra via, comentá-la seria tão chato para mim, agora, quanto me arvorar a narrar um desfile de Escola de Samba.

O enredo é imenso, as alas também, são inúmeros os destaques, as vedetes, as passistas, as promessas, dificilmente quem esteve no evento, e sabe do que falo, se esquecerá da energia que circulou estes dias pela Vila Madalena. E não serei eu a tentar circunscrever esta alta voltagem criativa e afetiva aqui. Pois é. Entretanto, ainda que eu tire minhas impressões da reta, pois não passam disto, impressões, mesmo que bem vívidas, não posso deixar de dizer que o ponto alto do que eu pude ver nesta grande folia não foi uma mesa, mas o show “Viva o povo Brasileiro”, que somou entidades como Fabiana Cozza, Rubi e o prodígio Vítor Araújo,  além das atrizes Naruna Costa e Olívia Araújo, em homenagem a João Ubaldo Ribeiro, Ferrez e Sérgio Vaz. O que foi aquilo?

É curioso que num evento literário eu eleja um show como “o acontecimento”, mas não tanto, haja vista que a Balada parece armada justamente para que mesas, mesmo as que prometem ser mais circunspectas, resvalem para um estado de show-mesas. Há sempre um convidado surpresa, um imprevisto que amplifica a coisa, encontros que por serem insólitos, causam. E são muitos os aplausos e os risos, a Balada infunde seu espírito de folia nos convidados e audiência, abre um campo outro pra eles, com suingue, axé, e amém também.

Penso que as orquestrações do Marcelino na Balada são coisa de Joãozinho Trinta. Eu ainda não lhe disse, mas ele está na Balada mais para um carnavalesco do que qualquer outra coisa, na medida que é um arregimentador de forças, de gentes, de linguagens, de fantasias, que sempre, safo como é, deixa fôlego pro risco e pro improviso – e joga com isso. Ele parece ter sempre aquele ás na manga, ou inventá-lo de bate-pronto, porque não são poucas as horas de precisão, para surpreender a audiência e os jurados, digamos. Como me pareceu, por exemplo, a presença do jovem biógrafo de Clarice Lispector, Benjamin Moser, na mesa em homenagem a Lygia Fagundes Telles, algo bastante imprevisto, mas que deu liga. Funcionou.

É nesta toada de carnaval fora de época, e de lugar, como impostura, que eu percebo a Balada, os seus achados e perdidos e encontros, o seu jeito de entrar na avenida e no calendário de São Paulo, não por acaso, não mesmo, na semana da consciência negra.

P.S.: Se quiser saber mais da festa, visite o trabalho de Fernanda Grigolin aqui. Uma cobertura fotográfica da Balada era coisa que urgia, para o ano faço votos de que a festividade seja registrada em imagens móveis também, merece. Até porque, tem gente como eu, que não tem resistência para os quatro dias de festa.

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5 Comentários Comente
  1. querisa medusa,
    foi ótimo, né?
    queria que tivesse ido no Moriconi…
    e é isso. vamos nos vendo.
    se puder, apareça dia 12.
    bjs

    27 de novembro de 2009
  2. moço, o que tem dia 12??
    ahhh, sua filha é o que há!
    bjks, Lu

    27 de novembro de 2009
  3. lilivc #

    ah, eu vi a Fabiana Cozza aqui em Vancouver no verao e adorei! Bom saber que tem samba alem da Lapa e das escolas de samba….

    28 de novembro de 2009
  4. Fernanda G #

    Lu,

    Vamos hj?

    bjos

    29 de novembro de 2009
  5. num é? bjks.

    1 de dezembro de 2009

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