Pular para o conteúdo

Arquivo de

Lhasa de Sela

Ando bem melindrada em postar o que quer que seja sobre a morte de Lhasa de Sela, mas não posso deixar de fazê-lo – e faço. Quem acompanha o blog sabe que meu encantamento por ela não vem do canto da hora mórbida, que atrai a tantos.  Ela se foi aos 37, devido a um câncer de mama. Em vez de uma canção ou um clip deixo um link para uma entrevista que ela deu aos 32 anos e que a mim fala muito dela, basta clicar aqui.

Anúncios

Virada

E o ano começa. E me vem todos aqueles votos e crenças de que as coisas prometem ser apenas menos ruins, não mais do que isso, nada além, mesquinhez que não está à altura do  que de pressinto, do que já sinto, aliás. Do que insiste em se instaurar como uma grandeza nova. Ó. Ainda que eu escamoteie expectativas, flerte com horizontes cômodos, saia de fino, retire a bandeira, há uma largada  já dada. E que se revela não menos que fluorescente, não menos que estardalhaço, não menos que imensa alegria. Só que a falsa modéstia,  coisa mais feia, o bom senso, o meio, o médio, a vertigem do menos, têm sido quase sempre muito mais fortes do que as cores vivas, daquilo que escapa, ultrapassa, fala mais alto, do que já é, quase. O mais fácil é aderir ao clichê pra baixo, bem baixinho. E logo se fechar assim pro bege, apesar de cheia de tigres escarlates aqui, e recorrer a metáforas fora do lugar que não me falam, mas disfarçam bem. Tenho mesmo medo de sucumbir para cima ao que se mostra tão grande e bom e belo e alvissareiro. É o meu decoro, meu jeito de não me caber e caber nas velhas medidas. De não cair, em si, em mim, em você. De romper o ano em fogos de artifício que quase ninguém vê.