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Eu volto atrás, sim!

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O muro de FEFE Tavalera

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Tem gente que anda nas ruas procurando muros. Tem gente com coragem para atravessá-los e fazer deles tela. Tê-los inteiros para si como espaço de múltiplas entradas. Tem gente que abre essas janelas pra nós que não temos coragem de fazer o que eles fazem ou nem sabemos como ou nem é a nossa. Tem gente que olha tais janelas e tem vontade de levá-las pra casa, porque as de casa não são livres como os muros que sofrem interferências. Tem gente como eu que não pula muros, mas procura neles marcas do salto alheio e já quis carregar consigo alguns, uma fotografia não seria suficiente. Egoísmo? Talvez. Tem gente que olha e não vê nada e nada quer deles, mas os carregam em algum lugar, como uma rachadura qualquer, que um belo dia poderá irromper. Outros os olham querendo além e os levam a galerias e quem sabe quebrem paredes, que podem ser mais altas que muros. Tem gente de todo jeito, que não pula os muros, que salta e assalta os muros, tem gente que refaz os muros e desfazem(se) deles, tem gente que ganha com isso. Todos ganham com isso. Quando eu passei a primeira vez por uma obra da FEFE, eu só passei e já saí ganhando: uma referência outra entre ruas tão parecidas entre si. Reflexões e desejos maiores só vieram depois, mas o valor primeiro é o melhor de todos: um mapa outro da cidade feia. Uma janela nova no roteiro.

Proibido Proibir

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Assisti ontem ProibidoProibir, de Jorge Durán, e o filme me arrebatou. Eu queria continuar na cadeira do cinema chorando por horas, mas não foi possível. Eu continuei chapada, comovida. Desde O Céu de Suely, que para minha satisfação também é recente, este é o filme nacional que mais me tocou e eu sei o porquê em alguma medida.
Dói a decadência de tudo, o filme pode ser até criticado porque tem um gosto de época, da ditadura, de “um não é de hoje”, que se derrama por ele. Mas aí está sua graça, o seu título que engenhosamente nos confunde. Estarei indo a um filme de 1968? De época? Sim, de todas. O que pode parecer uma falha estética não é. O filme imprimiu o que somos sensivelmente. Herdeiros do ensino de merda da ditadura; refinados e estetas herdeiros do moderno que hoje pode ter como emblema o Fundão ou prédio do MEC, o de Le Corbusier. Nos foi legada uma arquitetura que acreditava num outro homem, mas que hoje é favela, ruína. Somos herdeiros de um cinema que se faz em anos e anos, de filmes que levaram vidas. Este filme é infiltrado por vozes e ângulos que nos mostram coisas que não gostaríamos de ver ou experimentar (e sentimos todos os dias); 60, 70, 80, 90, 2000, sobrepõem-se assustadoramente. Várias épocas e filmes e mágoas e esperanças falam ali.
Dói ver a estudante de arquitetura procurando beleza no abandono, dói ver o estudante de medicina diante da deficiência de tudo, dói o coração de ambos que ainda sente, sente muito, mas que quase explode na impotência de um triângulo quase sem saída que é também um país de poucas equações. Dói a força e o estresse do estudante negro que sempre tem de se superar e se confunde e é confundido num cenário em que ele é mais um e não é. Dói não poder ser, dói ser.
É um filme de várias camadas, que só uma sensibilidade muito especial poderia fazer, é um filme da minha época, do meu tempo, que mexe fundo, mas eu não sei se dá pra acreditar no companheirismo e na retidão dos personagens, há amor assim neste mundo? Eles são verossímeis porque precisamos acreditar, porque já estamos cansados de tanto cinismo, porque mesmo sem estrutura e slogans e crenças ainda podemos acreditar no amor.
Este talvez seja o filme de amor, mais de amor que eu já vi. Porque para amar tem de se ir, junto, e vamos, mas com uma vontade imensa de chutar tudo e ir embora dessa merda de país.
Mas se há bons filmes que nos devolvem o que temos medo de sentir, de reconhecer que sentimos, se há filmes que explicam em parte nossos ódios e frustrações, se há filmes como esse que refletem nossa loucura e nossa doença… se há arte que nos acolha, então dá pra levar.
Amei de paixão esse filme.

Amor

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Há verdade nisso.

Poemas do passado – O Medo

Saturday, July 09, 2005

E na água te buscarei todos os dias
no espelho do que já fôra
nas horas malditas
na minha resistência fria
no nada nada que digo
nos cacos que repito
nos desejos baldios
fadados
lentos e vãos
como tetas secas
como barrigas murchas
como conchas lisas
gengivas pretas
feto malformados
mas que se vingam natimortos
em riste
em busca alucinada pelo seio farto
pelo seu rastro
pregas e desejetos
pelo muito que há de você em mim
pelo que acredito
por mim