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Coluna, Tatiana Grinberg

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fotos retiradas de blog/portifolio de tatiana grinberg

Eu tenho “freqüentado” este trabalho da Tatiana Grinberg, coluna, há meses. Pela rede, através blog/portifólio da artista. Não poucas vezes, na infância e adolescência, estive neste prédio, espécie de pedra inaugural do moderno no Brasil, como também já perdi a conta do quanto ouvi sua história edificante, esta é palavra. E ela faz todo o sentido, ainda que eu tenha podido freqüentar o prédio por dentro e nessa espécie de intimidade ele tenha perdido a aura de sacralidade que o sustenta, para o bem e para o mal. Pude ver muito de perto sua decadência e seu abandono absoluto, que distam muito da imagem de impermeabilidade que geralmente se tem dele e do moderno, no limite. Não sei como este prédio está hoje, creio que pior, mas na década de 80/90 me parecia um cortiço, todo subdividido com tapumes e com aquelas divisórias hediondas de escritório e flores de plástico, um zumbi de si mesmo, à deriva. Visada que o olhar reverente, de fora, digamos, que monumentaliza ainda mais o monumento que o MEC já é não dá conta, aliás, lança-o ainda mais a uma possível ruína. Risco do que se cristaliza como cartão postal. Rigidez, no entanto, que o trabalho da Tatiana não deixa que se estabeleça, na medida em que ela lida com o concreto e o peso da construção como se ela tivesse várias camadas e materiais, como a madeira,  a serem perscrutados , adivinhados, sentidos, que não se dão a ver de cara, mas entre. Ela desconfia daquele tamanho todo, parece redimensioná-lo, com graça, afeto, trazendo-o à mão, à  luz. Como se ela visse o moderno e seus pilotis de dentro, pelos vãos, e pudesse reinventá-lo, e fazer quem já o viu como eu, e quem não o viu, revê-lo uma e outra vez. Ela estabelece uma espécie de conversa ao pé do ouvido com o prédio, pelos furinhos na parede/tapume, mas com as mãos, arriscando um toque outro no que se supõe impenetrável, rijo de tudo. Apropriação que surge para mim, como uma lufada de ar, de alegria mesmo. É preciso reinaugurar outros gestos em relação a espaços como este, até para que ele se reedifiquem,  dignos e belos. Que se possa brincar com os pilotis, com a coluna enfim, da qual em boa medida somos também feitas. Não é Tatiana?

Para conhecer mais o trabalho dela clique aqui, para ver este trabalho específico aqui.

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