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Alga doce, Andrzej Wajda

Há muito um filme não me toca como este. Quero vê-lo e revê-lo muitas vezes. Trata-se de Alga Doce, do diretor polonês Andrzej Wajda. Eu gostaria de dizer que se trata de uma reflexão sobre a morte, e é. Mas eu temo correr o risco de reduzi-lo a uma visada estreita da morte, quando nada é mais cheio de vida do que ela em suas figurações na tela de Wadja. Então eu gostaria de dizer também de que  se trata de uma reflexão sobre a vida, e é.  Como também de uma refinada reflexão sobre arte. Mas, sobretudo, eu gostaria de dizer que nada passa mais longe do que pode ser entendido sobre reflexão do que esse filme, ele é. E nos leva a sê-lo. Ele é tanto que eu tenho muito pouco a dizer, por hora. Digo-o melancolicamente, é claro. Com o filme dentro de mim numa longa conversa.

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Devo remetê-los, contudo, a um post que escrevi sobre a peça Viver sem tempos mortos, que o filme me evocou reiteradas vezes – há algo que aproxima Fernanda Montenegro da atriz Krystyna Janda e, claro, a peça do filme. Entretanto em Alga Doce, a cena é aberta, os bastidores são trazidos à tona, e as dores do drama real da atriz e protagonista servem de força motriz ao filme, radicalidade que apenas se insinuava em Viver sem tempos mortos, mas estava lá para quem quisesse captar, potencializando a fatura da peça. Em Alga doce, contudo, a morte recente do marido da atriz é narrada por ela, sem pejo, paralamente ao drama de sua personagem Marta. A vida da atriz ilumina e dá gravidade e peso ao seu papel ficcional, e vice-versa, com uma coragem e uma delicadeza que redimensionam o que pode ser entendido destes limites tão frágeis entre vida e morte, realidade e ficção e outros pares aparentemente antitéticos, aos quais aderimos porque é o mais fácil (inclusive para escrever).

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Uma boa crítica do filme pode ser lida aqui. É do José Geraldo Couto, ele é um homem hábil com as palavras de fato, o que tentei esboçar está sinteticamente dito por ele. Pois é.

Há uma última sessão do filme na Mostra no dia 2/11. Espero que entre em cartaz.

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Breve

Gente, creio que nunca fiquei tantos dias tão sem dar um alô, e sem avisar sequer que iria fazê-lo. Caso soubesse de antemão deste tempinho, avisaria, claro. As explicações para tal ausência são muitas e todas poderiam vir ao caso, mas seria muito extenso (e intenso) expô-las neste espaço. Há certos pontos da figura desta blogueira que não devem ser muito iluminados, apesar de eu achar que as imagens que escolho, as músicas e os clips sejam muito eloqüentes sobre meus estados d’alma, e escolhas – e até os antecipem a mim, pois é, é. Ó. Contudo, no entanto, todavia, para simplificar, elejo uma razão de força maior para minha ausência: mudei de casa, o que exigiu muita disposição física, nervos burocráticos e outras mumunhas que me ocuparam até estafar. Agora, está quase tudo no lugar, em outro lugar. Melhor, assim me parece. Confesso que não tenho a menor idéia de como prosseguiremos a prosa, nunca sei ao certo, é vero. Penso que a mudança espacial terá implicações que ainda não alcanço, mesmo neste pouso virtual, que é o que nos interessa. Veremos. Ó, mais uma vez. Obrigada a todos que continuaram a bater por aqui. Sinto falta disso, de vocês, é como é bom sabê-lo, já de volta ao Sorriso ou quase.

+ Ofélia

de Grigori Kozintsev (1964)

Para Clarice

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A cor da romã, de Sergei Paradinov

Deixa eu te ver

Porque eu já queria ver peixe desde lá. Este deve ter sido um dos primeiros, é dos Doces Bárbaros, de 1977, para o Sítio do Picapau Amarelo.