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Entrevista com Hermano Penna – 2008

Este é um trabalho escolar da Cecília, minha eterna enteada. Ela e suas colegas Flávia e Lívia foram entrevistar meu pai, o cineasta Hermano Penna, para uma matéria de escola. As moçoilas estão na oitava série do colégio Oswald de Andrade.
Fiquei orgulhosérrima, porque elas gravaram esta entrevista com uma câmereta fotográfica e a editaram sozinhas no windows trá-lá-lá maker. Palmas para elas! A quem possa interessar a amantíssima Cici é a do meio e a que dá o start na entrevista.
Salutar este encontro de gerações no qual ambas são levadas a sério.
Pausa para lágrimas da blogueira.

Gato de ouro para os quatro.

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Autobiografia desautorizada

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Vocacionada para Glória

Nasci em 22 de fevereiro de 1647, na cidade Montpelier, no sul da França e batizada Luciana Bourdois Penna. Em minha infância fui considerada uma das meninas mais graciosas de minha estirpe. E, como os Bourdois Penna estavam falidos desde a ascensão da burguesia e decadência da nobreza um casamento de conveniência e nobilíssimo seria a redenção de minha família, reduzida a mim, a meus quatro irmãos menores e a minha mãe viúva. De modo que eu deveria casar-me aos treze anos com um primo, não muito distante, descendente da mais pura linhagem de reis da Bavária e Antuérpia. Entretanto, os laços matrimoniais não foram meu destino, pois já aos nove anos, para desgosto dos meus, minha beleza tornou-se tamanha e para assombro de todos lasciva, o que implicou em minha sodomização reiteradas vezes por meu tio Barão Vanprès Bourdois e conseguintemente pelos seis filhos dele, entre outras desgraças, notícia que logo veio à baila e significou o fim de meu noivado. Tais percalços me deixariam marcas que só puderam ser expiadas e purificadas pelas mortificações e êxtases que eu levaria a cabo, sobretudo, no convento Palay Lemonial, onde fui enclausurada. Ao ingressar na vida religiosa aos quinze anos fui de chofre detratada por minhas irmãs, que sabiam apenas da face obscura de minha vida pregressa, mas não de toda sorte de esforços que eu já havia feito no caminho da ascese de minha alma. Desde os dez anos, minha mãe impunha-me as mais abjetas comiserações para que me salvasse. Como ser forçada a comer as fezes do seu irmão mais novo, doente de um mal jamais descoberto, mas do qual foi salvo. Tanto que aos doze anos já era procurada por toda sorte de disentéricos em busca da cura de seus males. Além de sorver seus fluidos, mais ou menos espessos, também me alimentava de seus vômitos, que ao serem ingeridos me traziam visões de Cristo. O que era sacrifício passou a missão. No convento, apesar de inicialmente rejeitada, meus esforços de purificação no sentido de extermínio de meu corpo foram logo reconhecidos, emporcalhava-me o quanto mais fosse possível, dormia sobre uma cama de esterco e amarrada com crina de cavalo, o que me ulcerava o corpo. Aberta em chagas e sem poder sequer locomover-me experimentei um de meus últimos êxtases místicos ao sorver o pus do seio canceroso de uma de minhas irmãs. Morri aos dezessete anos. Três anos mais tarde, em 1667, fui canonizada pela Santa Igreja.

Jardineiro da Arte – André Feliciano


Estão acontecendo zil eventos imperdíveis. Este é um deles. Além do mais, soma-se a ele, um picolo lançamento no mesmo dia e local do livro TE PEGO LÁ FORA, do Rodrigo Ciríaco

O verão do Chibo

Vale prestigiar o primeiro livro de ambos e à quatro mãos. Segundo Emilinho “É a história de um narrador confuso numa plantação de milho onde vivem homens barbudos de galochas, procissões
de formigas suspeitas e besouros de personalidade forte.”

Nina Miranda e Chris Frank

No meio da deprê geral do blog, entre raras excessões, posto o clip acústico de minha talentosissíma prima Nina Miranda. Quem conhece este blog de um tempo já sabe que escrevi sobre ela e sua banda Zeep. Sabe também que não poupo elogios e predicados. Como também já sabe que apresento a parentada toda sem medo de ser feliz, porque eles podem. Eu babo como mera escriba e vamos lá. Minha verve fica romântica quando falo desse som. Se quiser saber um pouco mais releia o que já escrevi. Assino embaixo again e again.

Há também a página no myspace:http://www.myspace.com/zeepband

Parede

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As coisas começam a ficar ruins às seis da tarde,
quando a cidade anuncia que começa ferver e as
horas ameaçam ser mortas. Você sabe que ninguém
a porá para dormir e a última coisa que
deseja é voltar para casa. Ainda que seu corpo implore
por sentir-se em casa. Conseguir companhia não é difícil.
O pior vem pela manhã, quando as paredes mostram
o quão parecidas são com as pessoas.

Rodrigo Ciríaco

E não dá pra perder o lançamento do livro de contos do talentoso, obstinado e amigo Rodrigo Ciríaco. 

Que, aliás, foi entrevistado pelo não menos amigo. M. Maluf em seu blog. Neste vocês podem conhecer mais deste jovem professor. Só me vem adjetivos à cabeça. À lá coruja, já que o conheci em tempo de acompanhar um pouquinho o processo de criação de seus textos. Pra quem quer pensar educação no Brasil e as mazelas do ensino público, sem panfleto, mas pela literatura, tem de ler o livro do cara. É o cara.





Prece

Ainda que às cegas com um nó nas costas você vai acordar deste pesadelo como quem desce uma ladeira, como quem requebra fácil numa ciranda. Cante agora como uma negra linda porque eu quero, é para o seu bem como uma canja, a sopa de ontem, a reza de outro dia. Ainda que sem cor e riso, coberta dos pés à cabeça cante como sempre fez. As velas já estão acesas. O povo em volta. Mostre a que veio, ainda que tenha ido.