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Proibido Proibir

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Assisti ontem ProibidoProibir, de Jorge Durán, e o filme me arrebatou. Eu queria continuar na cadeira do cinema chorando por horas, mas não foi possível. Eu continuei chapada, comovida. Desde O Céu de Suely, que para minha satisfação também é recente, este é o filme nacional que mais me tocou e eu sei o porquê em alguma medida.
Dói a decadência de tudo, o filme pode ser até criticado porque tem um gosto de época, da ditadura, de “um não é de hoje”, que se derrama por ele. Mas aí está sua graça, o seu título que engenhosamente nos confunde. Estarei indo a um filme de 1968? De época? Sim, de todas. O que pode parecer uma falha estética não é. O filme imprimiu o que somos sensivelmente. Herdeiros do ensino de merda da ditadura; refinados e estetas herdeiros do moderno que hoje pode ter como emblema o Fundão ou prédio do MEC, o de Le Corbusier. Nos foi legada uma arquitetura que acreditava num outro homem, mas que hoje é favela, ruína. Somos herdeiros de um cinema que se faz em anos e anos, de filmes que levaram vidas. Este filme é infiltrado por vozes e ângulos que nos mostram coisas que não gostaríamos de ver ou experimentar (e sentimos todos os dias); 60, 70, 80, 90, 2000, sobrepõem-se assustadoramente. Várias épocas e filmes e mágoas e esperanças falam ali.
Dói ver a estudante de arquitetura procurando beleza no abandono, dói ver o estudante de medicina diante da deficiência de tudo, dói o coração de ambos que ainda sente, sente muito, mas que quase explode na impotência de um triângulo quase sem saída que é também um país de poucas equações. Dói a força e o estresse do estudante negro que sempre tem de se superar e se confunde e é confundido num cenário em que ele é mais um e não é. Dói não poder ser, dói ser.
É um filme de várias camadas, que só uma sensibilidade muito especial poderia fazer, é um filme da minha época, do meu tempo, que mexe fundo, mas eu não sei se dá pra acreditar no companheirismo e na retidão dos personagens, há amor assim neste mundo? Eles são verossímeis porque precisamos acreditar, porque já estamos cansados de tanto cinismo, porque mesmo sem estrutura e slogans e crenças ainda podemos acreditar no amor.
Este talvez seja o filme de amor, mais de amor que eu já vi. Porque para amar tem de se ir, junto, e vamos, mas com uma vontade imensa de chutar tudo e ir embora dessa merda de país.
Mas se há bons filmes que nos devolvem o que temos medo de sentir, de reconhecer que sentimos, se há filmes que explicam em parte nossos ódios e frustrações, se há filmes como esse que refletem nossa loucura e nossa doença… se há arte que nos acolha, então dá pra levar.
Amei de paixão esse filme.

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