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Virada

E o ano começa. E me vem todos aqueles votos e crenças de que as coisas prometem ser apenas menos ruins, não mais do que isso, nada além, mesquinhez que não está à altura do  que de pressinto, do que já sinto, aliás. Do que insiste em se instaurar como uma grandeza nova. Ó. Ainda que eu escamoteie expectativas, flerte com horizontes cômodos, saia de fino, retire a bandeira, há uma largada  já dada. E que se revela não menos que fluorescente, não menos que estardalhaço, não menos que imensa alegria. Só que a falsa modéstia,  coisa mais feia, o bom senso, o meio, o médio, a vertigem do menos, têm sido quase sempre muito mais fortes do que as cores vivas, daquilo que escapa, ultrapassa, fala mais alto, do que já é, quase. O mais fácil é aderir ao clichê pra baixo, bem baixinho. E logo se fechar assim pro bege, apesar de cheia de tigres escarlates aqui, e recorrer a metáforas fora do lugar que não me falam, mas disfarçam bem. Tenho mesmo medo de sucumbir para cima ao que se mostra tão grande e bom e belo e alvissareiro. É o meu decoro, meu jeito de não me caber e caber nas velhas medidas. De não cair, em si, em mim, em você. De romper o ano em fogos de artifício que quase ninguém vê.

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2 Comentários Comente
  1. ana peluso #

    A gente arde sob nossos próprios fogos. Que de artifício não têm nada.
    O resto é solidão.

    um beijo!

    7 de janeiro de 2010
  2. boa ana! bj.

    8 de janeiro de 2010

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