Para um amor no Recife, de Paulinho da Viola, com ele:

E a linda versão de Marina Lima:


Gabbeh, cor

09Nov09

Gabbeh, de Mohsen Makhmalbaf – Irã, 1996. Mais aqui.


Ouvir para subir, mansinho.


Há muito um filme não me toca como este. Quero vê-lo e revê-lo muitas vezes. Trata-se de Alga Doce, do diretor polonês Andrzej Wajda. Eu gostaria de dizer que se trata de uma reflexão sobre a morte, e é. Mas eu temo correr o risco de reduzi-lo a uma visada estreita da morte, quando nada é mais cheio de vida do que ela em suas figurações na tela de Wadja. Então eu gostaria de dizer também de que  se trata de uma reflexão sobre a vida, e é.  Como também de uma refinada reflexão sobre arte. Mas, sobretudo, eu gostaria de dizer que nada passa mais longe do que pode ser entendido sobre reflexão do que esse filme, ele é. E nos leva a sê-lo. Ele é tanto que eu tenho muito pouco a dizer, por hora. Digo-o melancolicamente, é claro. Com o filme dentro de mim numa longa conversa.

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Devo remetê-los, contudo, a um post que escrevi sobre a peça Viver sem tempos mortos, que o filme me evocou reiteradas vezes – há algo que aproxima Fernanda Montenegro da atriz Krystyna Janda e, claro, a peça do filme. Entretanto em Alga Doce, a cena é aberta, os bastidores são trazidos à tona, e as dores do drama real da atriz e protagonista servem de força motriz ao filme, radicalidade que apenas se insinuava em Viver sem tempos mortos, mas estava lá para quem quisesse captar, potencializando a fatura da peça. Em Alga doce, contudo, a morte recente do marido da atriz é narrada por ela, sem pejo, paralamente ao drama de sua personagem Marta. A vida da atriz ilumina e dá gravidade e peso ao seu papel ficcional, e vice-versa, com uma coragem e uma delicadeza que redimensionam o que pode ser entendido destes limites tão frágeis entre vida e morte, realidade e ficção e outros pares aparentemente antitéticos, aos quais aderimos porque é o mais fácil (inclusive para escrever).

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Uma boa crítica do filme pode ser lida aqui. É do José Geraldo Couto, ele é um homem hábil com as palavras de fato, o que tentei esboçar está sinteticamente dito por ele. Pois é.

Há uma última sessão do filme na Mostra no dia 2/11. Espero que entre em cartaz.


Breve

26Out09

Gente, creio que nunca fiquei tantos dias tão sem dar um alô, e sem avisar sequer que iria fazê-lo. Caso soubesse de antemão deste tempinho, avisaria, claro. As explicações para tal ausência são muitas e todas poderiam vir ao caso, mas seria muito extenso (e intenso) expô-las neste espaço. Há certos pontos da figura desta blogueira que não devem ser muito iluminados, apesar de eu achar que as imagens que escolho, as músicas e os clips sejam muito eloqüentes sobre meus estados d’alma, e escolhas – e até os antecipem a mim, pois é, é. Ó. Contudo, no entanto, todavia, para simplificar, elejo uma razão de força maior para minha ausência: mudei de casa, o que exigiu muita disposição física, nervos burocráticos e outras mumunhas que me ocuparam até estafar. Agora, está quase tudo no lugar, em outro lugar. Melhor, assim me parece. Confesso que não tenho a menor idéia de como prosseguiremos a prosa, nunca sei ao certo, é vero. Penso que a mudança espacial terá implicações que ainda não alcanço, mesmo neste pouso virtual, que é o que nos interessa. Veremos. Ó, mais uma vez. Obrigada a todos que continuaram a bater por aqui. Sinto falta disso, de vocês, é como é bom sabê-lo, já de volta ao Sorriso ou quase.


+ Ofélia

12Out09

de Grigori Kozintsev (1964)


Para Clarice

04Out09

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A cor da romã, de Sergei Paradinov


Porque eu já queria ver peixe desde lá. Este deve ter sido um dos primeiros, é dos Doces Bárbaros, de 1977, para o Sítio do Picapau Amarelo.


Reza

30Set09

Hoje soube de tia Anita. E acendi uma vela. E sem me dar conta acendi outra. E fiz um café preto. E quando vi tinha colocado o café num copo de vidro. E o bebi desse jeito mesmo. E lembrei tia Anita. E lembrei minha avó. E lembrei as duas. Elas se falavam todos os dias ao telefone. Tia Anita era a melhor amiga da minha avó. E entendi por que uma vela e mais outra. Eram elas no meu ato falho. Era isso. E lembrei também que quem tomava café no copo assim, de vidro, era minha avó. Tinha de ser, só podia. E entendi que ela tinha vindo se despedir de tia Anita num outro lapso meu. E achei uma profunda graça nisso. E enchi mais um copo. Mas não bebi. Não consegui. Quem bebia tanto café assim era minha avó e não eu. E entendi que eu não mexeria com lapsos manifestados em velas e copos de vidro. E muito menos com os de pessoas queridas. E entendi que eu tinha medo. E pedi para elas descansarem em paz. E escrevi.


[...]

30Set09

o espelho - tarkovsky

O espelho – Tarkovski