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Sergio Britto em Beckett

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foto de guga melgar

Depois de falar tanto de Fernanda eu não poderia deixar de comentar Sergio Britto em A última gravação de Krapp e Ato sem palavras 1, de Beckett, dirigido por Isabel Cavalcanti. Peça que aliás, saiu de cartaz no final de semana passado.

Como eu não sou jornalista, não me atenho ao tempo que os espetáculos estão em cartaz e serviços assim, mas penso que deveria, há coisas que urgem serem vistas, Sergio Britto é o caso, Beckett também. Mas creio que esta peça como a de Fernanda devem voltar para uma segunda temporada, aí me redimo.

Acredito que não seja coincidência que dois atores tão próximos na arte e na vida tenham escolhido monólogos à esta altura da carreira e, sobretudo, que tratam, cada uma à sua moda, da brutalidade e absurdo da existência, da solidão em que estamos inelutavelmente mergulhados – e do que podemos ou não fazer com isso.

Quero deixar registrado aqui meu encantamento pelo domínio das palavras, pelo gosto por elas na boca do ator em a Última gravação de Krapp, como também pela potência imensa dos mínimos gestos deste homem de 80 anos em cena.  Não esquecerei o modo como ele comeu três bananas nesta peça, como suas mãos as decascaram e as empurraram paulatinamente goela abaixo. Pois é, uma banana e um ator podem alimentar uma existência por um tempo imprevisível. Isso já não vale o jogo?

Não bastasse a Última gravação…, Britto também se lança ao Ato sem palavras 1, que foi originalmente criado para o ator   e dançarino Derik Mendel, mas que o ator adapta aos limites, que podem ser ganhos em se tratando de teatro, de seu corpo, liberdade justa, digamos, ao se apresentar um autor que faz da nossa ” impotência a sua potência”. No limite, interpretar trata-se disso também, não?

Ver Fernanda Montenegro e Sergio Britto tão bem, na ativa, é algo alentador, acho que é isso. Dá gosto e sentido usar a já tão gasta palavra “contemporâneo” em releação a eles, se alguma contemporaneidade me interessa, ela está muito próxima desses senhores. Ser do mesmo tempo deles é uma destas contingências da vida que só tenho a agradecer.

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um comentário Comente
  1. Oi Luciana,

    É um grande prazer ler os seus comentários, e perceber a sua facilidade com as palavras. Tb adimiro muito esses dois atores e sinto muita alegria por sermos todos da mesma época.

    bj grande
    Rosa Damasceno Paranhos

    22 de junho de 2009

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