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Bate-papo com Fernanda Montenegro

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foto de pennah

Ontem eu fui assistir a um bate-papo gratuito entre Fernanda Montenegro e Jorge Coli,  que faz parte de um projeto chamado “Caminhos da liberdade”, no qual parte significativa da pesquisa que precedeu a montagem de Viver sem tempos mortos é levada ao conhecimento do público. Encontros como este tem se dado todas as quartas-feiras desde de 20 de maio, só soube ontem, o de quarta que vem será o último. Corram!

Antes da conversa, foi apresentado o documentário Une femme actuale, de Dominique Gross. Creio que não o apreciaria tanto caso não tivesse visto a peça que, aliás, praticamente o dispensa, honestamente. Entretanto ele estimulou um bom começo de prosa, sobretudo porque para o meu espanto, diante das questões colocadas pela platéia, percebi que muita gente ali não havia podido ver a peça como eu. Um fenômeno que só um país como o nosso pode “‘oferecer”. A atriz, além de atuar Beauvoir, no bate-papo, generosíssimamente versou sobre e decifrou a filósofa na maior leveza para uma platéia que certamente só conhecia a Fernada da tevê e nunca tinha sequer ouvido falar de Beauvoir.

Situação que só espantou a mim e mais um poucos,  Fernanda não se melindrou, muito pelo contrário, pelo que entendi este projeto é uma iniciativa dela,  mais do que ninguém a veterana sabe (e ousa saber) quem é sua platéia, e se dirige a ela sem pejo, com interesse, disponibilizando inclusive livros de Beauvoir no lounge do teatro.

Abismei-me com seu bom humor, com seu gosto pela reflexão e pela palavra, é de fato uma das mulheres mais inteligentes e lúcidas de que tenho notícia. Depois do que ouvi não me resta dúvida de que a dramaturgia da peça, que não é assinada, seja , em boa e incomensurável medida, dela.

Como é bom ver um ator com um domínio das palavras que rivalize com o do corpo, em que um esteja à altura do outro, cujas energia física e potencialidade vocal estejam prontas para dar cabo do texto, para enfrentá-lo. Coisa rara em tempos que que o corpo, mudo e desencarnado, prevalece, roubando tantas cenas.

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