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A imagem do dia por ana peluso

aqui.

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Imagem do dia

 via o silêncio dos livros

Entre twitter e moleskines, o resgate

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Na onda de contra-ondas temos a volta dos cadernos, mesmo os fetichizados moleskine não passam de cadernos. Glamurizações à parte, que não me agradam, considero bem salutar que voltemos todos, ou quase, a escrever, rabiscar e tudo o mais sobre o papel. A mão e a cabeça pedem, a escrita clama por esse suporte (que lírico e mUderno isso!), tal necessidade me é evidente, sobretudo, quando trabalho com meus alunos: o tempo do pensamento, de estruturação dele, pede uma concentração que só a escrita à mão ainda dá. Não há nostalgia no que digo, é constatação, prática. Escrever à mão é quase como pôr os pés no chão, aterrissar. A percepção do texto é outra, seja na ortografia, o mais óbvio (e traiçoeiro) dos quesitos, seja na construção e edição de idéias.

O paradoxo é instigante: a volta da escrita que a rede trouxe, salve!, implicou na necessidade de boa verve, de boas idéias, coesas, e de um retorno ao texto escrito e bem escrito. Não há blog que se sustente sem uma boa pala. Mesmo para quem use apenas MSN e genéricos, e abuse de torpedos, a necessidade de um certo domínio da escrita é evidente, e ainda que impere uma língua abreviada, ela está baseada numa estrutura que tem de ser dominada, não há saída. Nesse contexto, não me parece que a escrita quase codificada dos bate-papos impeça que se escreva bem, percebo o contrário, ela só impele ao desejo de se comunicar e à necessidade de síntese, de rápida apreensão de texto, enfim, e nessas: resgatamos, entre outras cozitas mais, os cadernos.

Tenho observado bastante o twitter, a mais nova onda da rede. Inicialmente pensei que a imposição de 140 caracteres significaria empobrecimento, mas também neste caso o movimento parece ser outro, pois só se segura em twiitadas quem dá conta de mandar seu recado sinteticamente, com alguma graça. O que de significa, no frigir dos ovos, o resgate de recursos inestimáveis à construção de idéias como o papel, o lápis, a borracha, o professor, bingo!

Por isso, queridos, que a rede venha, com todos os seus modismos aparentes, porque no pior dos mundos imagináveis o domínio da língua ainda será a sustentação, o chão, feito os cadernos. Mãos à obra, com flexibilidade e engenho. Na rede e na pauta, no risco, sem medo. 

Capa 8, o número, as voltas

Continuo na onda de capas, gosto desta imensamente, do título, do número e do design à mão livre, tudo. Que esta capa paire neste blog, assim seja.

Designer: Nicole Caputo/publisher: Counterpoint Press

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E o Oscar vai para filhotes de Gandhi

Resolvi assistir a alguns filmes do Oscar e dos que eu vi não sobrou um, pra não dizer que não falei das flores, da bomba mor, creio,  fica aqui minha visada: “Quem quer ser um milionário” é uma Sessão da Tarde arrastada em que um corpo passa desavisadamente em chamas, entre outras apelações que podem subir o filme ao estatuto de Tela Quente. Só.

Pra não ficar mui antipático apresento esta imagem deliciosa desses petit filhotes de Gadhi que achei aqui.

O livro sem capa, o livro dos meus livros

Eu ganhei este livro da minha avó, como não poderia ser muito diferente, já com a capa descolada, talvez um dia a encontre, num sebo, quem sabe? Certamente a sugestão que meu vô fez a Drummond nunca verei. Mas ambas as possíveis capas não me fazem falta,  porque este é para mim o livro sem capa com a capa mais bela do mundo, já que a dedidicatória revela muito de uma história que um dia quero muito contar. Mas antes preciso contar outras.

Capas sob/sobre/com/entre livros

Resolvi postar aqui algumas capas  em que a metalinguagem  e a bricadeira com o objeto livro cola e colabora, ainda que um lance aqui e acolá me incomode. Encontrar uma capa bem redonda, sem arestas, é bem difícil mesmo. Pincei estas, entre outro motivos, porque não pecam pelo excesso de informação, o que me incomoda muito.  Começo com umas gringas, que cacei no site Book Covers.  

Designer: John Gall/publisher: Louis Menand

Designer: Amy Goldfarb/Art Director: Michael Ian Kaye

publisher: Back Bay Books

Designer: Sean Tejaratchi/publisher: Tin House Books

Adorei o conceito, mas o tipo de fonte  escolhido e, sobretudo,   o itálico embaixo detonaram a capa. Esta fica como uma exemplo de achado que deu com os burros n’água. 

Pois é, Alice,

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Da fofura, & infantilização

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Ela queria ser aquela coelhinha, mas é esta, em pêlo-pelúcia, em rosa, em flores. Quem vai querer? Ela também pode brincar de adulto.

P.S.: Eu ando bem desconfortável com o tanto gente adulta com gosto de criança que tenho visto. Este post não é pró, é contra isso, que fique claro. O fetiche, do fetiche, do fetiche já está dando. Não falo só da nostalgia dos anos 80, por exemplo. E da legião de saudosistas do playmobil, do lego e dos smurfs, pra ficar nos mais bonitinhos. Há um aqui agora muito tatibitati, percebo isso na música, no cinema, na fotografia, uma infantilização generalizada, posso ter meus momentos como no post dos gatitos, todos temos, mas brincando a sério, com algum distanciamento irônico.  Gente,  há algo que passa do limite e está descompensado.  Será que muito mais gente compartilha essa percepção comigo? Ou estou me transformando numa crica irremediável?, podem dizer.

Estética da fofura – gatos japoneses

Minha gente, em geral não gosto muito de animais dublados com voz de gente, é fácil ficar feio, tirar a dignidade do bicho que é a de ser bicho. Eu tenho um certo enjoo com coisas apelativamente fôfas. Tenho horror a estética da fofura, que se não é o pior, é um dos piores tipos de pornografia. Mas constatei, recentemente, que de gatos e fofurices quem entende mesmo são os japoneses. Eles sabem fazer uma fofura de alto nível, de bom nível, isso é possível.  Afirmo isso só para justificar o fato de eu me derreter diante de algumas várias produções nipônicas, nas quais o protagonista é um ou mais gatos fofos. O meu fofo, um lá do Japão, de um certo Japão, e não aquele fofo fofuxo melado e com dentes de leite aos 40, eis toda a diferença. Que não é muita, aliás, mas é, bom gosto não se discute. Cada vez que vejo uma propaganda com gatos hablando na sintaxe do sol nascente, isso mesmo publicidades, ou esbarro em uma imagem com a tipografia japonesa simulando miados mais me convenso de que os gatos são, além  de fofos, japoneses. Não há lingua que melhor se encaixe nesses bichanos. Reparem que fofura de bichinhos gotosinhos miau miau マルハ_健康缶!