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Voltando ao “Entre os muros”, interlocuções

Vamos lá, o dever nos chama. No meu post sobre Entre os muros, assumi uma posição bastante clara sobre o meu pé atrás em relação ao filme. Ele permance, é incrível, ainda que o filme seja uma unanimidade. Provavelmente se eu escrevesse o post hoje, depois de tantas “resenhas” lidas sobre ele, trabalharia o tom para que fosse mais evidente o fato de que, apesar da minha aversão ao longa, eu quero é mais é interlocução. Educação é uma pauta que eu não quero jamais abandonar, até porque não me vejo sem trabalhar com isso.

O escritor e professor Rodrigo Ciríaco passou aqui e expôs sua posição em comentário, maravilha, saio na chuva pra me molhar, na esperança de pelo menos um padedê. Copy e paste:

“Pra mim, você fez um dos melhores resumos do que é o filme. De verdade. E o que você não gosta, que é essa reiteração, a incomunicabilidade total, o filme arrastado, insuportável é o que torna o filme para mim interessante. E totalmente crível. Para mim, o filme diz muito do que é a sala de aula. Claro que o filme não é a realidade, mas um olhar sobre, um recorte. O filme passa sobre todo um ano letivo com uma visão bem seletiva, principalmente dos momentos de tensão, das situações limites. Mas são essas que chamam a atenção para a discussão, pois são apenas a ponta do iceberg. O buraco do muro é muito mais embaixo. E sobre a negra mais negra que não aprende nada, não é um simples desfecho para tanto lero-lero. É uma situação real, infelizmente. Vivida no filme, vivida por mim ontem. Vida não vida, mas que acontece. Ah, sim. E gosto é gosto. Se discute, é claro. Mas gosto é gosto. Eu gostei do filme, não apenas pelo contexto, mas pela proposta e pela ousadia – que para mim existiu. Assim como gostei de “Quem quer ser milionário”, você não mas, tudo bem. Continuamos amigos .”

Evidente que respondi a ele:

“Rodrigo, que bom que deu o seu recado. Eu vou levar, e muito, em consideração o que você disse. Praticamente você me força a ver o filme mais uma vez, essa é a dor e a sorte de ter amigos como você. Mas é gente-gente como você que eu procuro. Sobre o “Quem quer ser milionário” não tem acordo, mas sobre “Entre os muros” sim. E é isso!, continuamos amigos, acredito que é justamente assumir uma posição que faz as relações se aprofundarem: podemos (e devemos) colocar as diferenças na mesa, porque o muro é muito mais embaixo.”

A conversa ficou por aí, mas óbvio que o meu diálogo interno não parou. Por que afinal eu não teria gostado do filme para além do que eu havia elencado? Não podia relevar a opinião de quem está mais que mergulhado no embate diário do sistema escolar. Hoje, abri o blogue  do Ciríaco e estava lá meu post na íntegra “ao lado” de um do Marcelino Freire sobre o mesmo tema, tivemos posturas absolutamente antagônicas em relação ao filme, faz sentido o Ciríaco destacá-las. Ele dá aos seus leitores mais elementos de discussão. Mas me incomoda um pouco meu texto fechado como uma sentença (é certo que meu tom colaborou para isso), porque parto do pressuposto de que um blogue, sobremaneira, é um território livre para mudanças de pontos de vista, pela agilidade de postagem, interlocução etc. e tal.

De toda forma, estou honradíssima com o destaque e com companhia. E na verdade,  seja dito, minha visada não mudou mesmo, não muito. Valeu a consideração, Ciríaco. Feliz ou infelizmente, minha gente, não tenho muito a acrescentar sobre a reação imediata que tive ao Entre Muros, além do que já escrevi, só quero aproveitar o ensejo para reiterar minha abertura. Enfim.

Quase enfim, de tudo que li a respeito o texto que mais me deu elementos de compreensão de minha leitura, e “suspeitas” sobre ela, foi um artigo curto de Luiz Zannin Oricchio, no Estadão de 23/03, em que o crítico faz uma espécie de levantamento da presença da escola no cinema e o seguinte arrazoado no final do artigo:

“Se a escola continua hoje a funcionar como microcosmo das condições sociais, o papel do professor parece se deslocar um pouco. De figura exclusivamente repressora ou redentora, torna-se um protagonista necessariamente ambíguo em uma época conturbada. Como em Entre os Muros da Escola, de Nicolas Cantet, ele vive impasses semelhantes aos de seus alunos. É parte do problema. E também da solução possível”.

Pois é, a questão do papel do professor é algo que me mobiliza muito, vocês nem imaginam o quanto, e justo a fragilidade da personagem, sua chatice e inabilidade foram basilares para que eu não suportasse o que vi. Não suportei, é fato. Não consegui e não quero crer num muro sem frestas. Esta é a posição que sustento. É o que posso, por hora.

 

P.S.: Qualquer dia eu volto ao assunto, quem sabe relatando minha passagem rápida e dolorosa pelo ensino público, ao cumprir minhas horas de estágio de licenciatura em Letras.

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