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Entre twitter e moleskines, o resgate

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Na onda de contra-ondas temos a volta dos cadernos, mesmo os fetichizados moleskine não passam de cadernos. Glamurizações à parte, que não me agradam, considero bem salutar que voltemos todos, ou quase, a escrever, rabiscar e tudo o mais sobre o papel. A mão e a cabeça pedem, a escrita clama por esse suporte (que lírico e mUderno isso!), tal necessidade me é evidente, sobretudo, quando trabalho com meus alunos: o tempo do pensamento, de estruturação dele, pede uma concentração que só a escrita à mão ainda dá. Não há nostalgia no que digo, é constatação, prática. Escrever à mão é quase como pôr os pés no chão, aterrissar. A percepção do texto é outra, seja na ortografia, o mais óbvio (e traiçoeiro) dos quesitos, seja na construção e edição de idéias.

O paradoxo é instigante: a volta da escrita que a rede trouxe, salve!, implicou na necessidade de boa verve, de boas idéias, coesas, e de um retorno ao texto escrito e bem escrito. Não há blog que se sustente sem uma boa pala. Mesmo para quem use apenas MSN e genéricos, e abuse de torpedos, a necessidade de um certo domínio da escrita é evidente, e ainda que impere uma língua abreviada, ela está baseada numa estrutura que tem de ser dominada, não há saída. Nesse contexto, não me parece que a escrita quase codificada dos bate-papos impeça que se escreva bem, percebo o contrário, ela só impele ao desejo de se comunicar e à necessidade de síntese, de rápida apreensão de texto, enfim, e nessas: resgatamos, entre outras cozitas mais, os cadernos.

Tenho observado bastante o twitter, a mais nova onda da rede. Inicialmente pensei que a imposição de 140 caracteres significaria empobrecimento, mas também neste caso o movimento parece ser outro, pois só se segura em twiitadas quem dá conta de mandar seu recado sinteticamente, com alguma graça. O que de significa, no frigir dos ovos, o resgate de recursos inestimáveis à construção de idéias como o papel, o lápis, a borracha, o professor, bingo!

Por isso, queridos, que a rede venha, com todos os seus modismos aparentes, porque no pior dos mundos imagináveis o domínio da língua ainda será a sustentação, o chão, feito os cadernos. Mãos à obra, com flexibilidade e engenho. Na rede e na pauta, no risco, sem medo. 

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