Pular para o conteúdo

Conexão & caminho do meio

De frente pro computador penso na minha quilometragem, ela não é pequena. Páginas visitadas e não vistas, fotos descartáveis que grudaram, informações que perdi, porque não precisava, milhões de comentários lidos que só reiteravam o texto a que se dirigiam, inclusive os que escrevi, centenas de vídeos assistidos ou quase isso, não poucas vezes duros de carregar e frustrantes. Alta rodagem de redundância e vício numa mescla incontornável.

Evidente que sem tal imersão na rede perderia coisas preciosas, como a experiência da imersão em si, mas o fato é que não tenho fôlego nem talento pra isto: acordar de manhã e ler meus favoritos do google reader, depois o twitter, clicar nos links gentilmente oferecidos, também por mim!, não me excluo, ler e escrever e-mails, sem contar os pps que por educação ainda abro, confraternizar no facebook , passar pelo indeletável orkut até que o dia se acabe e eu termine numa espécie de coma de informação.

Porque os programas crescem, do google nasce o google reader, para facilitar, aparentemente, só aparentemente, porque senti na pele que cada criação facilitadora só aumenta a fissura, com o novo programinha são mais blogues que você pode ter atualizados em tempo real, mais gente para ler e numa boa medida neurótica: controlar. Quem precisa desta realidade? Eu não cara pálida. Help!

Do twitter nasceram e hão de nascer mil outros programas facilitadores, um para encurtar a url, outro para mandar fotitas, outro ainda para mandar musiquetas, fora aquele permite que você leia tudo em grade, à lá tweet deck, e com essa grade, meu amigo, você vai se sentir tentado a twittar até morrer. OK, não foi bem o meu caso, mas a sedução a isso é obscena.

Tanta facilidade lembra-me o quase falecido controle remoto, que começou a implantar, também aparentemente, a democracia na tevê com a possibilidade do zapping. Alguém lembra como zapear demais cansa e quase enlouquece? Ponha isso a enésima e você saberá do coma que entrei.

Mas saí, ou quase, a tentação é grande, se pretendo deletar todos os programinhas e me deletar do espaço? Não, como não pretendo jogar pela janela meu controle remoto (agora entendo o nome do aparelho), apenas sei que a rede não é brincadeira de menino, e como já dizia minha avó: quando a esmola é demais o santo desconfia. Não há dúvida, por trás de tantos facilitadores mora um convite a drogadição e a incitação do furor controlador do usuário. Digo isso, sem nem tocar na sanha controladora das grandes corporações, que daria outro post.

O resumo da ópera não é novo, como nada de fato parece ser: há que se ter um equilíbrio, mas a questão é: como mantê-lo se quase tudo conspira contra? Não quero dar um ponto final a questão, impossível, porque tudo é muito novo e alvissareiro, não dá pra negar. Mas há que se ficar esperto. Provavelmente vão me rebater com o clássico: “a drogadição não está nas coisas, mas na sua relação com elas”. Pode ser, eu espero para ver. De olhos bem a abertos, do meio do furacão: com meu twitter, meu facebook e tra-la-lá. Mas com um livrinho na mão, uma alface para lavar, uma areinha de gato pra limpar, coisas assim, que me mantenham conectada comigo.

Anúncios
2 Comentários Comente
  1. Você fala, mas você sabe… A conexão É o caminho do meio
    Droga é a coisa sem uso , melhor usar antes que acabe
    E você faz bom proveito que eu sei>>>>da pra ver!
    beijos

    3 de março de 2009
  2. Valeu, querido! Bom dia pra você. Bjs. :))

    3 de março de 2009

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s