Pular para o conteúdo

Branco quase branco

Continuemos com minhas arrumações. Começo de ano, os surtos de mudança e rearranjo onde moro, no meu apartamento no caso,  são muito comuns; acredito que sejam para muita gente. Sou assaltada por aquela vontade de mudar as coisas de lugar, de se livrar daqueles objetos, paredes e restos de que nunca gostei e que mantive, por algum pacto desconhecido, mas muito provavelmente com raízes bem fincadas na preguiça. Sempre há aquelas “coisas-trecos-abominações” diante das quais, uma hora ou outra, você vai se perguntar:  “como posso ter convivido com isso? É feio demais! É cafona demais! Só podem ter se escondido de mim! ” E vem o movimento: achei, e tchau. Ou: achei e vamos repaginar. Repaginei. 

Opto por ser clean, a minha cabeça  é muito lotada de informação para que a minha casa seja – e o meu bolso vazio, confesso, vai! O fato é que estou nesse apartamento há uns anos e nunca mudei muita coisa. O aluguei já com alguns móveis de quarto, de madeira simulando antiguidade, não muito bonitos é certo, contudo não tão feios ao ponto de serem recusados. Foram uma mão na roda para quem precisava comprar de máquina de lavar a tapetinho do banheiro. 

Noves fora, zero, topei e gostei de ficar com as relíquias, apesar da madeira escura abominável,  ou meio abominável delas,  com a qual convivi até a semana passada, quando resolvi lixá-las e lixá-las para poder pintá-las de outra cor. Clara, seria. Pequisei todo tipo de acabamento, procedimentos mirabolantes, optei por uma tal pátina lavada. Mas descobri que a cor da própria madeira era tão, tão clara que não a pintei. Mais bonito a madeira na madeira e eu sei que iria enjoar de pátinas e brancos e isso e aquilo. Já basta os móveis serem tão carregados no seu design arrojado, pra trás. Enfim.

img_0004

Vejam a diferença entre o já lixado e o resto. Gostei desta história de descobrir a cor original, mas o trabalho, meus caros, é indescritível, haja mão e lixa. Contei com o auxílio luxuoso da super Hilza, que chamei assim que percebi onde tinha me metido. Depois que lixei o primeiro móvel, vi que era um caminho sem volta, teria de  repetir a operação em mais uma cômoda gigante, um ármario, e em dois criados-mudos (que nome horrível, só me dei conta disso no processo).

Foi pó para todo lado. Ficamos sujas como se tivéssemos em Serra Pelada, numa mineração de cor de canela e negrume do verniz. Fiquei me perguntado que mistura possante teriam passado naqueles móveis. Alguns deles, por mais que se lixasse, não perdiam a coloração escura, pensei em usar tiner, mas antes pesquisei na rede outras saídas e descobri o álcool. Encontrei uma página que dizia que se um envernizamento fosse um tal de “asa de barata”, ele sairia com álcool, apenas. Não deu outra: era ele. Cor de barata, era esta a cor do meu “mobiliário”.

Depois do lixamento, não satisfeita, resolvi dar cabo das paredes do meu quarto, a antiga moradora tinha realizado uma pintura romântica no quarto, com flores pintadas e outras sutilezas, digamos assim. Gente, o lance é que entrei na viagem um tempo, o quarto parecia um cenário: entre art decó e Estação primeira da Mangueira. 

img_0011

Isso. Assumo. O quarto era verde com flores rosas pintadas. Cansei, me irritei, quase enlouqueci e não deu outra: optei pelo quase branco nas paredes e teto branco. Só que eu não contava que exterminar o verde pediria tantas demãos. Nunca aluguem nada verde, uma dica. Também não sabia que pintar um teto dava tanto trabalho. Ok,  trabalhei em cenografia, pintei muita coisa e adoro a função: tintas, pregos, furadeira, cola quente, o que você possa imaginar. Mas teto nunca tinha encarado, é chato e dolorido, acreditem.  Decidida, caí no dorflex. 

img_0049  

 img_0048

Na pintura não contei com ajudas luxuosas, foi um parto solitário de alguns dias. Não dei conta de fotografar e pintar, mais uma vez minhas lentes voltaram-se para ele, Romeu, meu gato.

img_0046

Tranformei  peso do quarto numa leveza inacreditável. Quase o quarto branco de Yoko. Ou o quarto da vovó. O próximo passo? Por enquanto aproveitar  esta onda modernista-franciscana. E deixar a revolução pacificar. Assim, zen. Até quando:

img_00471

img_0003-2

o branco quase branco pesar.

Anúncios
2 Comentários Comente
  1. Ricardo Ma #

    Para você não dizer que não comentei nada. Deve ter dado um trabalho gigantesco mudar tudo de lugar, pintar e “enjornalar” a casa. Eu estou ainda me acostumando com a idéia de mudança: já tinha mais ou menos definido onde ia ficar e agora zaz. Provavelmente mudo de cidade, de casa. Mas curtindo a felicidade e entorpecido a ponto de não fazer planos.

    beijo

    7 de fevereiro de 2009
  2. Que bom que comentou. Essa coisa de entrar e sair e não dar um oi… quero não! Estou tão feliz por você que nem sei dizer. Bjsssssssssssss. Lu

    7 de fevereiro de 2009

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s