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Para Yemanjá

Hoje acordei com Yemanjá na cabeça, eu gosto assim com “y”. Eu gosto de ipsilone. Hoje telefonei para minha irmã em Salvador para pedir a ela que pusesse  uma oferenda em meu nome no balaio que fosse.  É o desespero maninha, uma vontade de me reencontrar com a beleza, com a natureza, com o feminino, com um colo de sereia e de mãe que perdi, aqui ó, aqui dentro. Mas ela disse que eu deveria ter encomendado antes, que não dava mais, que até meu pai, ateu, ele diz que é ateu, tinha pedido com atecedência para pôr uma alfazema no balaio. Mas pra que tanta burocracia, encomendar antes? Minha maninha não entendeu a minha dor, a minha urgência, a minha fé repentina, febril, necessária. Não acredito que um Orixá seja tão esquemático, ainda mais do mar, tem de caber mais um.  Mas entendi a reação dela, ao menos tento, preciso entender,  parece que a família lá leva o ritual a enésima, contratam uma banda, fazem camisetas, tipo bloco, agremiação, torcida organizada, carnaval com corda. E eu não dou pra isso, eu sou só e de última hora, não tenho uma fé constante e regular e regulada e não sei mesmo nem quero “fazer parte”, assim: demais. Sou aquela que é e não é carioca, paulista, candanga e não sou mesmo do camdomblé nem da umbanda nem da Bahia. Mas maninha, meu coração está com vocês, e por mais longe que eu possa estar: eu também sou filha dEla, lembra? Somos irmãs, portanto.  Acho que era isso que eu queria dizer, também. O que importa é que alguém do outo lado da linha resolveu: põe uma flor por ela! Gostei, fica assim maninha, fico eu representada por uma flor aí e para Ela. Biodegradável, como tem de ser, porque é o que nós somos: biodegradáveis e não muito mais do que isso.

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um comentário Comente
  1. um dia a senhora dos navegantes, chamada também de yemanjá, e de tantos outros apelidos quem nem vale a pena lembrar, mas um dia no seu dia a santa não foi pro mar .. o mar estava revolto, uma tempestade manchava o horizonte .. o cortejo insistia “vamos todos, levemos yemanjá alé das ondas que yemanjá olhará por nós” .. o capitão do barco, contudo, imóvel estava e imóvel ficou .. a barba coçava, coçava, coçava, e depois de muito coçar, sentenciou: o barco não sai .. mas por que não sai, perguntou o cortejo .. ora não vêem? o barco não sai porque o sol se pôs e santa que é santa dorme cedo, alguém duvida? ninguém duvidou.

    2 de fevereiro de 2009

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