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A marvada – melancolia

Este é um livro que tenho lido, não é daqueles que se devora, pode-se até fazê-lo, não é meu caso, já que os livros de psicanálise, em sua maioria, trazem embutido o pedido da “releitura” por apresentarem conceitos, que imploram para que os entendamos. Pois é.

Não, eu não leio todo livro como ficção. O autor tem de ter uma apropriação da linguagem que seja rara, ao ponto de eu ser engolida por ela. Não é o caso da maioria dos pouquíssimos filósofos que já li e muito menos de psicanalistas, nem eu quero que seja, afinal não é meu desejo viver embriagada de palavras, às vezes precisamos entender, sem encharcar. Sobretudo conceitos complexos como a “melancolia”, que mudam de significado com o passar do tempo e das ondas, e per si já nos deixam trôpegos.

Marie-Claude Lambotte  se defende com a linguagem ensaística, uma escrita muito palatável e informal, pero nem tanto. Uma dica possível? Ler este livro dando saltos quando o psicanalês encrespa, caso não sejamos da área, e gozar os trechos em que a autora na sua própria voz e de carona na de escritores de ficção, e não de Freud, tenta “descrever” a marvada da melancolia.

Esse é um tema que carregarei pra vida toda, não tenho dúvidas. Quando escolhi o nome do blog Sorriso de Medusa não sabia da relação do mito da Medusa com estados melancólicos e, hoje, ditos depressivos, apesar de eu ver uma distinção entre eles, mas aí é outra história, que não dou conta de desenvolver agora, nem sei se darei um dia. O que me deixa especialmente curiosa é que há uma estreita relação entre melancolia e humor. O riso, o sarcasmo, a ironia são grandes saídas para a melancolia, aliás, não são saídas, são a face de uma mesma moeda.

Signficativa (e sintomática) é esta citação de Kierkegaard (via Lambotte):

“Desde minha primeira infância, uma flecha de dor plantou-se em meu coração. Enquanto nela permanecer, sou irônico — se arrancarem, morro.”

Pois é, não pensem que a melancolia não tem suas dobras: ela impele a que vejamos as coisas pelo avesso, ao contrário, como faz a ironia, nos pegando de calça curta. Digamos que o nome deste blog é mais uma das ironias que a vida me pregou. Está acatada, e estou muito feliz por isso, posso rir e embotar sem medo (infelizmente eu ainda padeço do mal de ser querida e aprovada, na leveza e no peso).

Vamos ficar com a frase de Kierkegaard que dá o que pensar. Voltarei ao tema.

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2 Comentários Comente
  1. Oi Lu,

    Ja tinha lido há uns dias.
    Resolvi voltar, tinha que comentar que eu amei “afinal não é meu desejo viver embriagada de palavras, às vezes precisamos entender, sem encharcar.” Levo isso comigo, viu?
    Beijos.

    10 de fevereiro de 2009
  2. Ai, que lindo. Fico muito feliz. Leva sim. Bjs!!!

    10 de fevereiro de 2009

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