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Lembrar aprender criar

 

 

Eu sempre gostei de pôr textos frescos aqui, de minha lavra. De uma forma ou de outra: um conto curto, outro curtíssimo, uma intervenção numa imagem, mas ultimamente tenho tido também vontade de postar trechos de obras que leio no momento ou que me interessaram especialmente; e que eu ache grifados em alguns livros pela casa. Porque uma coisa é certa: os livros que de fato conversam comigo são muito, muitíssimo rabiscados por mim. Ainda que eu possa  não voltar a eles.

Desconfio de que as partes que sublinhamos sejam justamente as que confirmam algo que sem nos dar conta já sabemos. Aqueles parágrafos para os quais dizemos: “Isso!”, estamos na verdade dizendo: “Lembrei”. E mesmo aqueles mais obscuros que nem sequer entendemos, mas dos quais gostamos demais, também se tratam de alguma coisa esquecida, em algum lugar, mas que poderemos alcançar mais à frente. Eu posso não acreditar em mim, mas eu acredito numa memória que me ultrapassa. E não se trata de inconsciente coletivo, à lá Jung. É de alguma outra coisa, que só a literatura e talvez a filosofia façam. E que eu não sei nomear, mas acontece.

Há uma capacidade de insights e achados dentro de cada um de nós que é incomensurável, mas que só o estudo, a literatura e a paixão são capazes de despertar, no meu caso. Neste ponto, aprender se mistura com lembrança, com a retomada da posse de um saber “inato”. E de certa forma, que eu não sei bem qual, aprender e criar estão muito próximos.

Eu ia por um trecho de algum autor por aqui, mas estou contente com isso. Foi o que o gesto de querer não perder algo me deu. Ia reproduzir um texto, mas me veio uma reflexão nova, que eu já deveria saber, em alguma medida, mas isso não a faz menos nova, daí a graça. O que, aliás, muitos podem estar carecas de saber. Vou confessar, aqui no blog e não poucas vezes, escrevo com se pensasse em voz alta. É também uma forma de lembrar, não? De não perder o fio da meada, ainda que eu não saiba bem qual.

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6 Comentários Comente
  1. é mesmo impressionante essa capacidade de certos escritores, incluindo você, de anular a distância entre os dedos e o pensamento .. se eu fizesse isso, acabaria processado, talvez até na prisão.

    12 de janeiro de 2009
  2. taí por que não gosto de emprestar meus livros: se eles não voltarem, perderei todos os grifos .. então terei de ler tudo outra vez.

    12 de janeiro de 2009
  3. Não tinha pensado nisso. Até empresto, mas muitas vezes não, mais pelo que escrevo ao lado, à margem, sabe? Pode ser muito íntimo. Os grifos por si não me inibem. Entendo sua postura , pois cá pra nós, na maioria das vezes os livros não voltam.
    Ah! Me indique via e-mail algum dos seus amigos que escrevem, tentei procurar por conta própria e me enrosquei no site.
    Abs.

    12 de janeiro de 2009
  4. – Eu já pensei dessa forma, claro, não propriamente o mesmo pensamento, mas algo que se harmoniza com o seu cogitar. Aproveito o ensejo para congratular-te pela sua produção literária, imensamente grato por tornar explícito pensamentos tão profundos.

    13 de janeiro de 2009
  5. Jefferson, é muito legal ter retornos como o seu.
    Muito obrigada!

    13 de janeiro de 2009

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