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Meu pé mandou avisar

 

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Pois é, sou uma pessoa que vive muito dentro da cabeça, é uma coisa. Mas a vida me chamou, digamos assim, para me ligar no meu corpo, ou melhor, no meu pé.  E pelo pé fui fisgada.

Há meses vivo uma montanha russa de diagnósticos mal feitos, de fisioterapias fins-de-linha até encontrar uma personal trainer, amiga de longa data, que, de leve, aproximou-me mais do meu corpo e do meu pé. E encaminhou-me  a outros profissionais, ligados ao rolfing e a uma outra técnica belga de que não me lembro o nome ( some-se a isso a acupuntura, indicada pela analista, mas acho que pra minha questão agora não é mais o caso, embora tenha sido de grande valia).

Quem me conhece sabe que minha vida mudou com o meu entorce master do pé, deixei de ir a vários lugares, encapsulei-me mais!, enfim. O risco de eu lesionar ainda mais o pé, hoje, é muito grande, por isso mais de um médico mandou-me aquietar e operar, o que devo fazer. Mas confesso que aposto numa recuperação que descarte esta possibilidade. Farei o que puder pelo meu pé .

O que tem sido legal, nesse enrosco, é um forçado contato diferente com o que eu achava, no limite trágico, ser mera carcaça e adiposidade, esta é a verdade. Sempre tive problemas de peso, uma relação péssima com a balança, que só se complexiza com o tempo, caso não se dê a devida atenção. E o lance é que eu dei atenções muito equivocadas,  enviesadas, que nada tinham a ver comigo:  academia e derivados, que só me desligaram ainda mais do que eu atualmente começo a perceber como corpo.

Vejo que descubro uma  outra coisa, estou sensibilizada com isso. Para muitos pode ser evidente, mas para mim foi uma caminho muito longo chegar ao corpo, estou apenas na pontinha de um iceberg, mas não posso deixar de falar dessa “conquista”, a qual, definitivamente me incompatibiliza com uma cultura do culto ao corpo que é, não tenho dúvidas, o culto do vazio.

E meu amigos, estou fora disso, minha praia não é malhar freneticamente para deitar no travesseiro expiando sei lá que culpa! Quero cavar mais fundo meu corpo, porque ele está afins de falar, como já disse o meu pé. E é isso. Falei.

P.S.: Li um artigo muito legal da Anna Veronica Mautner sobre uma espécie de religião do corpo, concordei por completo.  É só clicar aqui.

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2 Comentários Comente
  1. Dani Samad #

    É isto ai nega,muito cientes ambos os artigos, o seu e o dela; esta moda de tratar o corpo como um produto de consumo não ta com nada; vale muito mais uma consciência corporal do que qualquer esforço vazio na construção de uma massaroca moldável que deve ser consumido pelo corpo de outra massaroca que é o corpo do outro…..sou pelas gin´ssticas de consciencia, tasi como RPG, danças, ivaldos bertazzos da vida, etc…e te digo por experiência própria, e vc sabe do que eu estou falando, que as pessoas que vivem desta profissão, os tais “Trainers” , são uns perdidos vazios apenas preeenchidos por suas rijas musculaturas infladas de nada.
    beijones,
    Samad

    19 de dezembro de 2008
  2. Dani, concordo, mas quero que fique claro que há personais e personais. Tanto que foi uma personal, que você bem conhece, que me abriu, em boa medida, caminhos novos. Um bom personal sabe até onde ele pode ir, o fato é que bons profissionais são raríssimos nessa área, justamente pelo esvaziamento todo que você falou. Resumindo: um bom personal vale ouro, como qualquer outro profissional que vá além da perspectiva “massaroca” da vida e lide com seus limites.
    Bjs.

    19 de dezembro de 2008

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