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Beatriz Bracher e Cristóvão Tezza – balada literária

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©Dênio Maués

Não consigo me lembrar desta mesa como de outras, como me emocionei demais e as coisas ficaram mais nebulosas. Só tenhoa certeza de eu queria muito ouvir o Tezza (mas Bracher foi uma maravilhosa surpresa), o autor de uma pedra no meu caminho, e o escutei.

Ao ouvi-lo fui reencontrando a leitura do seu livro, do qual falei aqui neste blog com muita dificuldade, por não ter sentido (era o que achava) afinidade com a obra, pois por mais que eu reconhecesse a habilidade do escritor, o livro não tinha batido. Justificado equívico, que já se insinuava, mas que só pude reconhecer depois de não pouca elucubração e de uma certa delicadeza comigo.

O livro de Tezza ficou como um calo no pé. Por que não bateu e por que eu queria tanto não gostar dele? Só consegui articular a resposta as minhas questões já na mesa, diante do próprio autor e o fiz. Minha intervenção foi mais um desabafo do que uma pergunta. Relatei ao autor que não queria gostar do livro, porque a história do seu filho é a recuperação da história dele mesmo como autor, como escritor, e que suas dúvidas e autocríticas pesadas e amargas como narrador, por mais que recuperem e reavaliem anos e anos dele como homem e autor, ainda estão aqui a qualquer um que anseie à escrita, o que é foda.

Falei mais,ou melhor, falei mais claro do que consigo escrever, foi uma fala emocionada, cheia de paixão pelo livro que eu não poderia gostar, porque me incomodou tão profundamente que eu só poderia rechaçá-lo. Afirmei que não suportava saber tanto, que ele tinha escrito 40 anos de análise num livro e jogado a bomba no meu colo, logo no começo da minha carreira.

Ele gostou do que eu disse, entendeu (e foi mesmo) como um elogio, eu gostei de poder achar o nó, de organizar em sentimentos e reflexões o que me assaltava. Acho que cheguei à medula de algo, o que causa uma certa raiva, mas nos joga pra frente. O Tezza compreendeu muito bem. Já de cara ele me retrucou dizendo “que o livro sabia mais do que ele”. E eu sabia que poderia me expor assim a alguém que escreveu O Filho Eterno. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Tive a oportunidade e a coragem. A literatura para mim é isso: alta voltagem de afetos e sentidos. Sem isso não vale o risco.

Estou louca para ler a Bracher, cada gesto dela apontava para uma clareza, e uma maturidade raras, um compromisso com a escrita que admiro. Já gosto de sua literatura sem ter lido Antonio,  só por tê-la visto e a escutado ler um único conto (confesso que suas palvras em seu autógrafo foram tão surpreendentes que não há como não achá-la adimirável). Vou reencontrá-la, não há dúvida, porque se minha antena não falha, ela é das grandes. Como saber? Sabendo. À sua leitura, o mais breve possível.

P.S.: Para ler o que eu havia escrito antes sobre o livro de Tezza é só clicar aqui.

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2 Comentários Comente
  1. Já falei e digo de novo: quando eu crescer, quero escrever igual a você, com essa comovente sensibilidade (haja adjetivo!). Parabéns, Lu. Sou sua fã desde sempre. bjs!

    28 de novembro de 2008
  2. Fernanda, fiquei na dúvida de postar seu coment. Pôxa, vou cai na rasgação de seda mútua, repetir os mesmos adjetivos em relação a você… não pode. Fica como registro da nossa amizade, que é o mais importante.
    Bjs, Lu

    P.S.: O blog da moça Fernanda é http://contosdefabrica.blogspot.com/

    28 de novembro de 2008

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