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Adélia Prado – balada literária

©Dênio Maués

Qualquer tentativa de por em frases a experiência de ouvir esta mulher parece um atentado. Ainda não sou capaz nem quero. Ela é humana, demasiadamente humana, constrangedoramente humana para ser descrita. Põem-nos de cara com nossa pequenez e possível maravilha. É uma mística, uma pensadora, uma poeta, uma mulher tão mulher que parece encarnar todos os signos de mulher numa só. Não há como passar incólume a sua presença, porque ela toma o espaço, enche a sala, como um evento, feito rito. Escutá-la é como ouvir uma prece que reverbera num ponto que já esquecemos, não sei se trata de espiritualidade, mas tudo leva a entender que sim, ela nos faz acreditar no sagrado tamanhas convicção e fé que carrega.

A mulher veio ao mundo com uma missão. Um chamado de outro nível, não dá pra discutir. Ela veste o próprio mistério em cada palavra. Peguei seu autógrafo como se estivesse numa fila de comunhão. Sem doutrina, livre, mais num enlevo inexplicável. Enquanto autografava, ela falava com um amigo sobre uma torta de cebola que faz. Assim, assim mesmo. Não dá para enquadrá-la, ela é muitas, mas reunida, com uma lucidez que enlouqueceria qualquer outra. E que assombro isso nos traz. 

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5 Comentários Comente
  1. lourdes #

    Oi Luciana
    Li seu comentário tão acertado e eloquente sobre esta mulher, poeta, um ser humano evoluido de tal modo que sua presença irradia. A magia de sua palavra nos conduzindo ao mistério que o tempo inteiro ela nos anuncia.
    A afirmação de Drummond esteve bem aí diante de nós, orvalhada e fresca como uma rosa no jardim ,sob os raios do sol de cada manhã que surge.
    Adélia é lirica, é biblica, é existencial Adélia é o fogo de Deus em Divinópolis!!!

    24 de novembro de 2008
  2. Lourdes, fico feliz que tenha encontrado esta página. Volte sempre. Que bom que gostou do que escrevi sobre o acontecimento Adélia.
    Bjs, Lu

    25 de novembro de 2008
  3. Puxa, que inveja! Queria muito ter visto.
    Eu a vi na FLIP em 2006 e foi uma experiência fantástica que eu esperava poder repetir. Quem sabe numa outra balada talvez…
    Fiquei impressionada como na FLIP, além de falar muito e muito bem e encantar as multidões, a mulher ainda encarou uma fila de mais de 3 horas autografando (só perdeu pra Neil Gaiman, creio eu 🙂 sem perder o bom humor. Impressionante!
    Fora o trabalho dela que é genial e fala por si.
    Realmente… muuuuita inveja!!! 🙂

    25 de novembro de 2008
  4. Renato #

    “Peguei seu autógrafo como se estivesse numa fila de comunhão.” Que frase linda!

    Aliás, da gosto de ler seu blog.
    Parabéns, Renato.

    29 de novembro de 2008
  5. Dá gosto ter leitores que destacam frases. Muito obrigada Renato.
    Bjs, Lu

    29 de novembro de 2008

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