Pular para o conteúdo

A quem interessar

Para que fulaninho tem um blog? Por que eu tenho? Estas perguntas sempre me vêm, mas fico com elas e prossigo, escrevendo o meu e lendo o dos outros. Penso que no final das contas o que eu quero é alguma interlocução, que não aparece só nos comentários, que são parcos por aqui. Procuro também um auto-entendimento: o que estou escrevendo agora? O que não estou escrevendo? Quase tudo aparece muito claro para mim por aqui, em forma de letra.

Ultimamente não tenho postado muito meus escritos, aquilo que vai para o literário. Talvez devesse ser esta a função do blog, mas não é o que me mobiliza agora. Gosto de comentar e comentar, em boa medida é esta minha função. Apesar de, atualmente, ir pouquíssimo ao cinema e ao teatro e a exposições, tanto pelo meu estado de espírito quanto pelo meu pé (porque até hoje ele não tenho um diagnóstico definitivo), acabo comentando, ou apontando algo, aqui e ali. De um jeito ou de outro.

Não sou nem nunca fui de festas e badalações, e a leitura cai como uma luva pra mim, apesar de o animal que eu mais gostar ser o humano, não dou muito conta das relações, só das mais profundas, e muito ao meu modo, em conflito, mas amando sempre. Sou de paixões, não tenham dúvida. Ainda que passe só com meu felino a maior parte do tempo. Sou bicho caseiro. Meus amigos de hoje, com raras exceções, são meus amigos de escola, nem sequer da faculdade. De forma que não tenho muitos “eventos” para trazer aqui. Em verdade, fujo de uma pré-estréia como o diabo da cruz e quando vou a um lançamento fico, não raro, constrangida, não sei pegar autógrafo, acho que incomoda, quando o faço é porque o autor me encantou de maneira irresistível, ou porque o conheço e gosto muito dele.

De forma que conhecidos meus, que me acham super extrovertida, não se enganem, se assim fui, é porque vocês chegaram muito perto de mim. Raro é eu me sentir à vontade num lugar como eu me sinto na Mercearia São Pedro, por exemplo. Quem me lê e não são muitos, sabe do que estou falando. Talvez eu tenha alguma afinidade com pessoas deste lugar num nível que elas sequer imaginem nem eu. A quem servir a carapuça, fique com ela.

Talvez eu saiba por que eu blogue, quiçá seja uma maneira de eu dizer o quanto eu considere alguém ou algo, para o bem ou para o mal. Tenham certeza, quem ou o que está por aqui, me toca muito, em 99% das vezes. Provavelmente eu não me faça entender. Mas está dito.

Não estou muito interessada em “resenhas” que não apontem para minhas pesquisas pessoais ou fixações, chamem do que quiser. Se trato de um livro é porque ele tem uma pegada, um mote, uma verve que me aponta algo, seja na escrita, seja na vida, o que para mim é o mesmo. Sem parecer tanto, isso aqui é um diário de bordo. Não sei nem quero ser jornalista, por isso não me comprometam com o novo pelo novo, porque o meu disco é riscado. Amém.

Anúncios
3 Comentários Comente
  1. interaubis #

    sabe que eu sempre me faço essa pergunta!

    quando comecei, blogava para experimentar…sendo um ‘escritor gerado na web’ qualquer ferramenta nova de publicação me interessa por aqui.

    depois passei a escrever para exercitar a escrita, destravar o texto e isso funcionou, eu acho!

    então quando decidi que o blog ia ser diário, escrevia por birra: se o laerte (sim, pra mim ele é um dos maiores escritores brasileiros, mesmo escrevendo sempre com imagens…pode ter certeza que as palavras estão alí!) pode, todo santo dia publicar algo que, no mínimo faz pensar, porque não eu???

    hoje em dia escrevo porque tem gente lendo! tenho leitores (poucos, é verdade, mas constantes) e isso é muito, muito legal e demorou muito pra acontecer, portanto eu me sinto na obrigação de, além de todas os motivos apresentados acima, retribuir a essa confiança de quem volta sempre no meu bloguim esperando…puxa, sei lá o que eles esperam. só sei que voltam.

    bytheway, moça, qualquer dia a gente podia combinar uma mercearia, hein! a balada literária não é má idéia, mas eu sou ruim de turmas, hehe

    bjinhos

    19 de novembro de 2008
  2. Renato #

    Luciana,

    Talvez seja do seu interesse saber como eu cheguei ao Sorriso de Medusa. Tomo a liberdade de lhe relatar.

    Tenho 34 anos e não posso reclamar da vida. Graduei-me em Psicologia e doutorei-me em Filosofia. Aos 20 queria ser escritor. Aos 26, ou por aí, comecei a conciliar esse anseio com minha atual atividade profissional: leciono em uma universidade. Profissionalmente escrevo aquilo que pode contar no meu Currículo Lattes. Publish or perish.

    Há dois anos mudei-me para São Vicente, vindo do interior. Dou aulas no ABC, mas optei por não morar lá. A principal razão para isso é que eu achava que aqui na baixada eu poderia encontrar boas histórias, gente diferente, paisagens, quem sabe material para um livro de contos.

    Já faz algum tempo que ando pensando em criar um blog, mas nunca fui adiante nisso. Não só tenho preguiça como também fico cismado: tenho para mim que boa parcela dos blogs são expressão de narcisismo. E eu (acho que) me conheço… Sou presa fácil da vaidade. Mas os amigos insistem que eu devia ter meu blog.

    Nessas hesitações coloquei no Google: ferida and narcísica and blog. Minha intenção era saber se alguem mais achava que os blogs cumprem uma função psicológica. O Google me devolveu um link do seu post de mesmo nome. Comecei a ler o que você tem escrito. Achei justo, ponderado, sem exibicionismo. Pensei em começar o meu.

    Todavia, hoje, depois do almoço, disse de mim para mim: “A vida vale mais. Saia de casa. Blog é coisa de nerd.” Fui visitar uma escola de vela (iatismo) que há perto de casa. Descobri que o curso é gratuito, desde que você seja voluntário para tomar conta das crianças, carregar o material, desmontar os equipamentos. Finalmente, me colocaram num barco com mais dois alunos (outros dois marmanjos que estão iniciando). Duas horas de sol, vento, água, conversa, piadas e causos. Mais material para o livro (ou para o Blog) e cada vez menos vontade de perder tempo escrevendo.

    Pronto. Já falei bastante de mim: êta narcisismo que não me deixa. Sobre seus textos, acho que não preciso lhe dizer o quanto são bons. Pelo que entendi você AINDA não tem livro publicado, mas é evidente que é do ramo e que encontrará êxito. Acho que o melhor elogio que lhe posso fazer é que você me lembra Tchecov: cenas cotidianas, engraçadas e despretenciosas.

    Parabéns mais uma vez.
    Seu leitor, Renato.

    29 de novembro de 2008
  3. Renato, realmente eu estava curiosa em saber como você tinha chegado até aqui. Obrigada pelo relato. Honestamente? Comece o seu blog, abra-o para você, sem alarde, e veja como se sente. Sobre narcicismo, temos de lidar com ele de qualquer forma, um blog é só uma delas. Exibicionismo, aquele que beira o ridículo, é outra coisa, e o que eu já conheço da sua escrita revela que essa questão você não vai ter.
    Sobre Tchecov… aceito, mas não concordo. Taí, talvez hoje ele tivesse um blog.
    Bjs, Lu

    30 de novembro de 2008

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s