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+ Caetano & – Lobão

Estou acompanhando com muito interesse às discussões “gramático-lingüísticas” do Caetano em seu blog. A dissecação que ele fez da crítica do Jotabê Medeiros é um puta sinal de saúde de quem faz arte aqui, há que se manisfestar contra uma crítica, não no nível do gostei/ não gostei que é o dela, de boa parte dela, mas com outro approach como ele fez.

Caetano diz que a crítica de cinema é mais regular e responsável do que a musical, aí já não concordo de todo, de fato podemos sacar nomes que estão na imprensa como o do Inácio Araújo, entre outros. Mas  quando pensamos naquelas estrelinhas qualificando os filmes, como na Folha, e nos bonequiinhos do O Globo, que (des)norteiam tantas escolhas, há que se questionar por onde anda a crítica. Ou por que a crítica feita na academia não cai nas páginas de jornal?  E quando cai, porque não consegue dialogar com o leitor, como as outras gerações, refiro-me a Antônio Cândido mesmo, a Haroldo mesmo. Aos velhos mesmo, e daí? Aos mortos.

O curioso é que os generalistas com sua formação, seja psicanalítica, seja filosófica, ou ou, acabam sendo melhores e mais presentes na reflexão das artes em geral do que outros, ditos da área, pseudo-especialistas. Penso n variedade e profundidade dum Marcelo Coelho e dum Contardo.

Se a música é uma arte mais antiga que o Cinema e mereceria melhores críticas, seguindo Caetano, penso na literatura. Cadê a crítica, o diálogo com a literatura contemporânea?  Quando vi o novo guiazinho da Folha com lançamentos e críticas assinadas me empolguei, mas aquilo não passa de um catálogo de vendas. Em cinco linhas não há santo que dê conta de um livro, mas de destruí-lo sim. Não sei como escritores aceitam fazer este papel. Como também não sei como cineastas aceitam dar estrelinhas uns para os outros… é um tiro no pé.

A classe artística (odeio este negócio de “classe”) tem de se dar ao respeito para ter uma crítica à altura , e não fazer  mal feito o papel da crítica, seja para barrá-la, seja para encobrir tamanho desamparo de aparato crítico, de feesd-back, seja para ganhar uns trocados, nada, nada justifica. Se o escritor de literatura é também crítico, que faça a coisa com compromisso, porque o buraco é muito mais embaixo.

Nesse mal  estar geral, faz muito sentido as polêmicas de Caetano em seu blog e na sua trajetória desde sempre, alguém tem de falar, atitude muito menos egocêntrica do que aquela de quem se presta a dar pitaco em poucas linhas ou estrelas. Quem é mais leão nessa história toda?

Bem sintomática do estado geral das falas atuais, decrítica irresponsável e bestial, preconceituosa até a medula, é a entrevista dada por Lobão (o mais novo bossal metido a paulista da área, de MTV a rayban) ao JB, que deve ser lida. Sintomática também é a leitura de Caetano da mesma, vale vê-la

Quem é o equivicado? Há que se começar a por limites, há uma perversão paulistana que me cansa, um cinismo que me cansa e a crítica jornalística é um dos grandes sintomas, bem como os artistas que não se dão ao respeito e nem respeitam ninguém, bostejando. 

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