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Mosca na vidraça

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A mosca chapada na vidraça divisa uma chuva que não chega, que não molha, que dividida em milhares de pingos se disfarça em torrente. Mas não me comove e me pergunta por que não me toca. Não sei, parei se sentir, talvez tenha sido o seu sorriso, aquela garoa que parecia um trocado, um fim de festa, tenha me feito assim. Não gosto de chuva pouca, também não gosto de chuva que finge ser. Não gosto de acordar de manhã e sentir São Paulo úmida e o ar ainda seco, as narinas duras. Eu gosto da chuva que derruba as árvores que enxágua as ventas, que não pergunta e não tem desculpas. Daquela que desaba, da que se vê nos filmes e da que se lê. A chuva não me toca mais, quiçá porque a vida já não me diz muito, canhestra garoa sobre guarda-chuva. Objeto que, aliás, já não cumpre mais sua razão de ser, se esfacela a cada pingo, feito dez reais que se diluem numa cusparada. Sim, talvez eu ainda sinta algo, as coisas que não são ainda me enojam. A mosca chapada na vidraça era tudo que eu queria dizer.

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