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A Casa de Alice

a atriz Berta Zemel

 

 

 

 

 

 

 

 Assisti o filme A Casa de Alice, de Chico Teixeira. Um dos mais tristes e asfixiantes que já vi. Mil adjetivos me vêm à cabeça, mas escrever de modo predicativo seria violentar o filme, seco. Não sei por que escrevo sobre ele diante da evidente dificuldade e do não compromisso que é o de produzir para blog, entretanto como o filme é bom, muito bom, preciso escrever.

Também não gosto de redigir recheando o texto de citações, numa inesgotável intertextualidade, mas não posso me furtar a ligar este filme ao O Céu de Suely de Karim Aïnouz, que, desculpem-me a comparação, é muito melhor, pois neste há lirismo e naquele não.

A Casa é uma porrada que lhe impele a sair do cinema, houve um ponto que eu já não agüentava mais tanta asfixia e quase parti. O longa se dá a maior parte do tempo em internas, sobretudo, num apartamento de classe média baixa onde a família se apinha, em que os sons dos vizinhos invadem cada canto. Para ser maior a opressão o filme nem sequer tem trilha, o que é bem coerente. Ponto pro filme, tortura para o expectador. Já O Céu é aberto tem fundo, horizonte, é duro, mas dá esperanças, tem muito azul. Comparo porque são dois dramas, em que os diretores trabalham a atuaçãodo modo mais naturalista ou realista possível.

Mas a Alice do A casa não faz a viagem, como Suely, o que dá asas a este filme e a sua protagonista. Chico Teixeira abusa da verossimilhança, tanto que reduz as leituras do filme, mesmo que ele termine aparentemente em aberto. A Casa é fechado, seria completamente sem saída não fosse uma única personagem: Jacira, a mãe de Alice. Que atriz!, muito se falou de Carla Ribas, a protagonista Alice, super premiada. Mas de Jacira? Como deixar de falar dela? A monumental Berta Zemel? Ela é a grande personagem e atriz do filme, não tenho dúvidas. Todas as loas a esta senhora do teatro, só vê-la atuar já vale o filme e isso não é pouco.

A sensação que tive em relação ao longa foi muito parecida com a de assistir O Pântano de Lucrecia Martel, neste saí da sala, ainda que o filme fosse bom, no A Casa não, fiquei até o fim. Até o desmanche.

Vários filmes contemporâneos tratam do não dito, do que não se quer ver e é tão evidente que chega a cegar, o que paulatinamente acontece com a personagem Jacira. A casa também me lembrou as produções de Mike Leigh, impossível não pensar em Segredos e Mentiras. Filme em que o não dito impera e corrói, e em que o naturalismo da atuação também é uma pancada.

O fato é que apesar de ser um filme maravilhoso e que merece muito mais do que estar às 15:00H num único cinema, falta algo em A casa. Parece-me, é um paradoxo, que é o preciosismo de ourives realista de Chico Teixeira que beira o perverso, não à toa simula um documentário, como se a ficção engolisse o próprio rabo até deixar de ser ficção. Mais ar Chico, mais ar!

Eu ainda quero ver muitas ficções deste cineasta, que fique claro.

 

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2 Comentários Comente
  1. cara de fuinha #

    Oi cabeça!!!

    Estou adorando seus comentários sobre os filmes….

    Me deu vontade de vêr Casa de Alice, só que sabe como é, na Bahia a única coisa que chega peimeiro é o axé..AI MEUS OUVIDOS…

    7 de fevereiro de 2008
  2. luciana penna #

    Cara de fuinha? Quem és tu Brutus? É menina fêmea? Barriguda??

    7 de fevereiro de 2008

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