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Comentários que valem posts

Na madrugada postei um poema que em minha leitura trata da solidão em meio ao muito e ao tanto que temos a dar e da necessidade louca que temos de receber, também trata, evidente, deste limite entre o confessional ou não, que a mídia blog sempre traz à tona. Um poema perfeito para mim em um momento que queria berrar ao mundo minha falta de, mas não me desnudar a tal ponto do cancro esburacar a tela. Ninguém merece.

Hoje, mais tranquila, penso no quão este mesmo meio, o blog, permite encontros valiosos, que nos dão acesso a leituras outras de nós mesmos e do mundo e, nesse sentido, o quão absurdo é falar de solidão. Na madrugada alguém pode estar nos lendo e comungando conosco. Louco, não? E, mais, que a tal “Bruxa” acalma-se muito com esta possibilidade.
Não dá para só falar de solidão quando recebos comentários, sobretudo, com uma leitura tão fina como desse moço chamado Irajá Menezes, não à toa o seu blog chama-se Leituras. Exponho aqui seus comentário, porque ele é um grande leitor, sorte minha e, espero, permaneça um grande amigo. Acertou na mosca, seu comentário cabe a um post específico, mas ao espírito do blog nestes tempos.

Exponho aqui os comentários dele ao meu post “rock, o Gato? Ele não entende nada.”:

Leituras disse…
[…] sempre serei como uma criança para tantas coisas, mas uma dessas crianças que desde o início levam, consigo, o adulto, de modo que quando o monstrinho chega verdadeiramente à idade adulta ocorre que, por sua vez, esse leva consigo a criança, e no meio do caminho se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de pelo menos duas aberturas do mundo. Isso […] aponta, em todo caso, para um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta, e essa justaposição […] manifesta-se no sentimento de não estar completamente em qualquer das estruturas, das teias que a vida arma e nas quais somos, ao mesmo tempo, aranha e mosca.

Julio Cortázar – Del sentimiento de no estar del todo – La vuelta al día en ochenta mundo.
Citado por Jorge Larrosa em Pedagogia Profana.
Tradução: Alfredo Veiga-Netoa

30 de Janeiro de 2008 17:31

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Blogger Leituras disse…
Ou, na visão rock’n roll do Erasmo:

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
Ele é uma criança, não entende nada
Por dentro eu ria satisfeito e mudo
Eu era um homem, entendia tudo

Hoje só com meus problemas
Rezo muito mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
Ele é um homem e entende tudo
Por dentro com a alma atarantada
Sou uma criança, não entendo nada

30 de Janeiro de 2008 17:33

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um comentário Comente
  1. Leituras #

    O Instituto Data – Leituras informa: 33º dia do ano de 2008 e o Gato já computa 30 postagens, surto ativo / criativo similar só registrado anteriormente durante os meses de junho e julho de 2007. 2008, o ano do Carro, segundo os cálculos pra lá de suspeitos do tarô de Aleister Crowley & lady Frieda Harris – Viva, Viva, Viva a Sociedade Alternativa – que nos perdoe o mestre Constantino.
    Interpretação tradicional do Arcano nº VII, O Carro – Vitória, triunfo, harmonia, conclusão bem-sucedida de uma longa atividade, aptidão. O caminho reto para a frente.
    Aspecto negativo: Autodespotismo, megalomania, perda do controle / orientação; em última análise, fracassar diante dos impedimentos.

    2 de fevereiro de 2008

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