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NÃO

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Cada um na sua, o que implica em muitas. Aberturas e ciladas. Não adianta sempre o virão como bife de uma peça desconhecida. Para alguns você é a amiga mais engraçada da face da terra, a que deveria ter um talk show e comentar a média abaixo da média da tevê. Para outros a reclusa, a adiposa em seu escafrando. Muitos só vêem seu rosto. Há ainda aqueles que só vêem sua faceta papagaio e pitaqueira. Outros a generosidade e o desprendimento. Para cada um: uma. E para mim: a outra da outra da outra, always.

O grande lance é não cair em nenhuma, o que poderia ser fácil para quem como eu não tem a mente estreita, mas que no entanto, quer ser aceita e amada por gregos e troianos. Uma aqui dentro gostaria de ser cada bife integralmente para o bem de todos; outra gostaria de gritar: “vocês não sabem porra nenhuma”. Ambas não estão lá muito bem das pernas, porque todos pescam algo, aproveitável ou não, mas que computa e amputa aqui dentro. Não há como ser a peça quase inteira sem o olhar do outro, já dizia Sartre a seu modo, e Freud de outro, muito diferente, trazendo ao de Satre mais uns cem outros. Para mim ambos se conjugam no que preciso: auto-compreensão.

Anos de análise não me livraram da relação de compromisso que se estabeleço tacitamente em cada nova relação, eu te dou esta faceta e você aquela ali. Deixo-me levar por este baile de máscaras muito cordato. Quer dizer, anos de análise me deram uma certa margem de avanço e recuo e me permitiram amar e mandar a merda muita carne discutível. Como me permitiram descartar e somar muitos bifes de mim d’antes nunca vistos. O nó é desfazer esses compromissos não ditos, vivo em operação resgate. Difícil dizer “não”. É oq eu faço agora com a indústria da máxima magreza e da gordura limite da explosão.

Pilhéria acreditar que se comparar ao outro é algo que se cala de todo, o caralho, não sou santa e todos os outdoors me olham com bundas e curvas e silhuetas que estou longe de ter. Como me acenam viagens que jamais farei. Viver a diferença em paredes e pareceres tão massacrantes não é fácil. O mundo é estreito, meu bem. A anorexia ou obesidade mórbida é o que nos pedem dia após dia. Os gostos, os prazeres e os vícios devem ser escondidos até o auto-aniquilamento. Qualquer limite é proibido neste mundo e as ditas mazelas devem calar baixinho, como se pudesse enfiar estrias debaixo do tapete. “Vá lá detone tudo, se você não isso nem aquilo, nem preto, nem branco e a mulata não é a tal.”

Resolvi morbidamente passear pela internet e procurar imagens de mulheres gordas que me estimulassem a emagrecer, sim, sou louca como qualquer outro, e quando piro na maionese caio de boca na batatinha e me torturo de formas insuspeitadas. Foi o que fiz ao procurar parâmetros num lócus sem nenhum. Perda de tempo e masoquismo puro.

Morreria gorda como Marlon Brando afogada em sorvetes ou como Elvis dragando 6 sundaes pela manhã. Sou uma drogueta alimentar, quando as coisas desandam e elas sempre desandam asfixio meus rins e fígado com calorias. Não nasci com outras aptidões intoxicantes. A de comer existe, mesmo para os ícones. É mais fácil esconder um bombom do que uma pílula, uma banana do que uma carreira. Ninguém jamais teve como causa mortis asfixiamento por rabada, mas deve ter havido. Poderia citar outros nomes, mas me ocorreram dois e homens. O fato nada casual é o de Eles não ficarem para a posteridade agraciados pelo asco que a gordura exerce em boa parte da humanidade, Eles podem ser sem que saiba e nem que se queira saber. Dizem que sequer morreram.

Não à toa na internet só encontrei imagens de gordas anônimas e ridicularizadas como animais. Não tenho coragem de postar isso aqui, apenas prestaria um serviço a mais a tal indústria dos horrores. E nela só cabem os extremos, digite “gordura” e só choverão obesos mórbidos em sua tela, digite “corpo” e só virão anoréxicas e siliconadas. As imagens falam por si, clamam para que eu saia correndo de dentro de mim e salte dentro de pílulas, laxantes, inibidores, que eu recorte meu estômago eoutras partes. As imagens dizem “suma” e parodaxalmente dizem também: “fique, porque deste tamanho não há saída”. Diante das possibilidades que o mundo virtual oferece ou eu sou um bife de biafra, ou uma picanha norte-americana.

Vivo sob o jugo de um terrorismo da pior espécie, facista no último. Espartilhos e espartilhos virtuais. Gentes fora do corpo, gentes num lugar que não me cabe. Um mundo em que meu corpo não é bem visto. Um mundo do OU. Ao qual eu digo foda-se, mas com o maior carinho a quem cai ou está na borda de acreditar e ser engolido por esta esparrela e quiçá morrer por isso.

Estarei eu a salvo desta merda? Honestamente, não. É um começo.

Não duvido que chegaremos a um dia em que seu vizinho poderá chamar a polícia porque você está acima do peso, tal situação surreal não tarda. Questão de higiene pública, já não é o que disfarçadamente dizem? Basta trocar “saúde” por “higiene” que dá no mesmo.

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