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A Gaivota da GAIVOTA

Há algum tempo, uma semana talvez, tenho pensado em escrever sobre a peça GAIVOTA (TEMA PARA UM CONTO CURTO), baseado na obra de Anton Tchekcov. Eu fui menos para ver a peça do que para confirmar, e com isso me alegrar loucamente, de que aquele feito imenso da peça Ensaio.Hamlet se sustentaria numa outra peça, que eu não tinha visto uma miragem no deserto, que eu tinha visto o que tinha visto. Eu precisa ver uma vez e mais outra que havia continuidade, estofo, fôlego para muito mais na beleza estupidificante do Ensaio.Hamlet, porque eu ando precisando acreditar que há coisas boas e promissoras na arte, no mundo e na vida também. Não nego: a arte tem me salvado, é fato. Eu fui como quem faz uma aposta esperançosa.

Eu poderia me estender sobre o pulo do gato que é o trabalho com a metalinguagem que esse grupo faz, eu poderia… Mas só me vem a cabeça a satisfação de assistir a insatisfação que a peça encerra, os conflitos que ela trabalha, de pais e filho e gerações, e que são atualizadas de Tchekcov pra cá com tamanha vitalidade nessa montagem que mexem aqui dentro, no meu fundo mais fundo ( eu já vi outras montagens, mas nenhuma me tocou assim). Diante da minha comoção, sei lá, eu só tenho vontade de expressar o quanto me tocou a tamanha potência que a sacação da impotência, do limite, da morte, pode trazer a um grupo, aos atores, àqueles homens e mulheres que estavam ali. Eu só tenho vontade de me “solidarizar” com aquelas dores e questões e dizer que eu também estou aqui me perguntando: pra quê? Por que prosseguir? Do meu modo, na minha escala, enfim. No meu desassossego.

E se eu pudesse condensar numa atriz todas as questões inquietantes, porque melancólicas, porque frívolas, porque densas, minhas, dela, de toda uma geração, se eu pudesse escolher a atriz dessa peça seria sem dúvida Mariana Lima. Eu sei, eu vi, que as personagens passeiam pelos corpos dos atores, mas eu amei especialmente a Nina dela, a sua Macha, a sua Arkádina. Tão grandes e tão frágeis, elas-ela, tão ali, tão perto. De tudo quero guardar a atuação dela, sua entrega, sua presença, o luto que ela carrega, seu ego, sua leveza e peso, seu tamanho e beleza imensas. Atuação que só seria possível por ela estar na peça em que está, com a direção que teve, com outros atores incríveis para trocar e provavelmente por ser quem é. A elejo a Gaivota da GAIVOTA, acho que é isso.

parte do encarte da peça com texto e fotos da atriz mariana lima

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