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Vontade

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Nada a demoveria da vontade de viver nem mesmo sua imensa vontade de morrer. Nada a deixaria ir-se. Ela não se deixaria, apesar da última bomba, da falta de tato, do ruído imenso nas relações, do avião contra a parede, das crateras do metrô, do buraco da rua esperando seu mau passo. Mesmo diante daquele complô contra que era viver todos os dias , manhãs e noites inteiras sem respirar, olhando os sinais fechados, atravessando na faixa e seguindo o fluxo, imersa em maus presságios, no lodo de sempre, mas acreditando às cegas. Ainda que dentro do grande gol contra, ela viveria, daria o pulo do gato, arranhando frestas, nem que fosse aos gritos, porque era preciso, o porquê disso ela não sabia ainda, o porquê de viver, mas saberia quando soubesse, quando visse a coisa, a grande força que a moveria à favor dela, como a que move a pétala, como a que deixa boquiaberto o homem sem sangue nas veias, aquela força que faz do clichê algo novo. Ao sentir ela veria sentido em sua vontade de viver e viveria de fato como as plantas, os gatos e como ela jamais havia suposto possível.

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