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Zeep – Keep an eye on love

Nina Miranda & Chris Frank present ZEEP

Eu me pergunto o que será o Zeep, apesar de que a resposta não precisa ser dada e nem deva ser, porque corro o risco de cair em rótulos, que de pouco adiantam. Até aonde pude escutar e acompanhar Zeep é muitas coisas: uma banda de dois que agregam quem há de melhor em volta, um projeto de dois com um sem número de colaborações e idéias musicais. O Zeep tem um denominador comum, isso é certo: Nina Miranda e Chris Frank. Os dois são como ímãs e filtros, catalisando sonoridades. São um casal, uma família. E isso muda tudo, pelo menos aos meus olhos e ouvidos. A relação dos dois com o que os cerca está impreesa nas canções , no seu samba novo, em sua psicodelia mansa, nos seus baiões… é o que podemos sentir nos vocais macios de Nina, e no canto falado, suave e à vontade, do senegalês Diabel Cissokho na estonteante canção “Zeep Dreams” , assim como nas risadas de amigos, que se dão de forma tão natural e “em casa” que nos sentimos um pouco perto deles também, zeepados. Sem contar no encarte recheado de fotos das gravações no Brasil e em Londres, com imagens de familiares, amigos, pinturas da mãe da Nina, num clima de “feito à mão” e “álbum de família” que só nos aproxima ainda mais do projeto Zeep.

Não por acaso, ao escutar o disco senti uma tremenda unidade, que muitos perceberão também, por isso, curiosa, pus-me a escutar os discos anteriores de Nina e Chris (em outras linguagens é complicado urdir uma obra em par, mas na música isso é possível, é um prazer, um prazer a mais para quem faz e para quem ouve). Este novo álbum é tão maduro e redondo que eu só pude desconfiar de que aquilo vinha de longe, de dentro dos seus discos anteriores e, claro, do mais verdadeiro de dentro de ambos e também da convivência estreita e amorosa que construíram. E não deu outra: Zeep vem sendo urdido há anos, é um pouquinho cada disco anterior. E não à toa, com um repertório que têm, Nina e Chris formaram este timaço de zeepistas internacionais, como os brasileiros Mauro Berman, Marcelo Janeci e Marçalzinho; o italiano Davide Giovannini; os londrinos Jason Yarde e Kenny Lynch; o senegalês Mamadou Sarr, entre outros.

Sempre me perguntam sobre o fim do Smoke City. Eu nunca tive resposta e nem sei se ela existe, por sorte da vida eu nunca perdi o contato com a Nina e pra mim ela jamais sumiu do mapa, nunca “acabou”. Situação que permitiu que eu, naturalmente, me desse conta de que se as bandas acabam ou de que se os discos têm determinado números de faixas, os músicos continuam e a música dentro deles também. Zeep é como um fruto maduro das músicas que Nina e Chris foram sonhando e vivendo esses anos.

Tanto que o Brasil do Smoke City está em Zeep, maciçamente, mas de maneira mais incorporada, se no primeiro disco todo encarte trazia imagens do Brasil, neste o cenário de Londres se encontra com o daqui, num cruzamento que permite o novo álbum ser o londrino-brasileiro mais brasileiro de todos do casal. Talvez porque Zeep traga um Brasil tropicalista, “roqueiro”, um Brasil que reiventou sua música, porque recebeu nos anos 60 e 70 Beatles na veia, cruzando-o com samba e bossa-nova: um Brasil de Mutantes, de Gil e Caetano & guitarras , de um humor vigoroso que a Nina leva consigo quando canta e compõe e que nós hoje reconhecemos como nossa marca distintiva: o Brasil do caldeirão musical, que já bebeu em Londres, portanto. Zeep traz também um Brasil sofrido e até melancólico, lembrando-me em “Sem parar” o Edu Lobo das canções engajadas da década de 60, com seu sotaque mais nordestino e “contestatório”. É a primeira vez que ouço a Nina cantar o que a incomoda em nosso país, como os contrastes sociais, isso é novo no seu repertório, é Zeep também. Perspectiva desconcertante para quem só espera festa do casal; há muito mais no disco e no mundo.

As pesquisas, as profundidades sonoras do primeiro disco do Da lata também estão em Zeep, mas muito mais suingadas e leves, menos austeras, mais descontraídos e ainda mais africanas. Então, em boa medida, podemos dizer também que o novo álbum do casal é o mais londrino-brasileiro dos álbuns africanos. Ou o álbum afro-brasileiro mais londrino que os dois já fizeram. O que importa é que ambos encontraram uma equação em Zeep na qual a leveza e o humor do canto sagaz e delicado da Nina, toda sua sensibilidade e conhecimento do Brasil se casam com a musicalidade, entre outros atributos mais, do Chris, cada um mais um, e mais dois. Amei de paixão esse disco e como canta Nina: “Fique de olho no amor”. Ele pode fazer discos incríveis.


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um comentário Comente
  1. CyberneTiko #

    gostei muito do teu blog,descobri porque sou fã dos Zeep e acabei me “perdendo” aqui.Na realidade eu amo música e estava pesquisando para o imeem http://www.cybernetiko.imeem.com/ se gostar de música,passe por lá.

    abraço,
    CyberneTiko.

    3 de março de 2008

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